Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Economia

Brics deve criar perspectivas para organismos já existentes, diz premier indiano

Agência Brasil

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, disse, em Fortaleza, que sua primeira participação na 6ª Cúpula do Brics, grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, foi uma experiência “absolutamente” fantástica, que ganhou muito com as reflexões feitas por estes cinco países sobre seus problemas comuns.“Fico na expectativa de que tudo isso possa evoluir no sentido de ultrapassar nossas fronteiras nos dias que virão e que o Brics entre em uma nova etapa, já que a atual se encerra hoje”. 

Para Modi, a cúpula ocorre em um momento crucial, com turbulências econômicas e políticas e aumento dos conflitos e da instabilidade em muitas regiões importantes. Segundo ele, outra dificuldade é lidar com a questão da pobreza  e fazer com que o crescimento seja mais inclusivo e possa evoluir para um desenvolvimento social e moral.

“Um estudo das questões de paz e das necessidades globais deverá abrir caminhos de colaboração e cooperação, e é possível que o Brics possa responder a todas as perguntas [sobre essas questões]. Digo isso por causa da peculiaridade do grupo como instituição internacional. Pela primeira vez, reúne-se um grupo com base nos parâmetros de seus potenciais para o futuro”, afirmou.

O premier indiano destacou que a ideia essencial é que o grupo olhe para a frente e crie perspectivas e mecanismos para organismos já existentes, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial. Modi entende que o crescimento futuro das parcerias e o desenvolvimento das instituições dentro do Brics  deve proporcionar caminhos direcionados para um equilíbrio pacífico para a promoção de um mundo estável. “Queremos intensificar a nossa cooperação, incorporando os desafios globais, ao combatermos o terrorismo, incluindo o dos ataques cibernéticos”, acrescentou.

Assim como os demais líderes reunidos em Fortaleza, Modi pediu a reforma do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), no qual o Brasil pleiteia um assento permanente. “Devemos ajudar a mudar a Organização Mundial do Comércio (OMC) para um regime aberto, com forte equilíbrio e crescimento sustentável, e inserir questões como a segurança alimentar”, defendeu.  

Para ele, até a juventude deve ser envolvida na liderança do grupo, que precisa desenvolver mecanismos para atrair as novas gerações, bem como cursos online para aperfeiçoar a educação formal. Para ele, a criação da Universidade Brics ligaria os diversos campi do ponto de vista virtual, além de ajudar a estabelecer intercâmbio com docentes, por exemplo.

“Estou convencido de que cada um de nós poderá obter mais sucesso se trabalharmos em conjunto", concluiu Modi. 

Já o presidente chinês, Xi Jinping, destacou que um grupo como o Brics traz "benefícios intangíveis" para os povos dos cinco países que o compõem, propiciando inclusive maior cooperação entre eles, sem que “montanhas e mares” impeçam tal integração. “A cooperação entre no grupo é um processo histórico permanente. Precisamos aproveitar as experiências anteriores e buscar uma parceria mais sólida entre nós”, disse Jinping.Para ele, é preciso incorporar o espírito da inclusão entre os diferentes segmentos sociais e integrar os diversos modelos de desenvolvimento. “Isso tem de ser feito trabalhando-se em temos de democracia, de relações internacionais e com a manutenção do espírito da cooperação para servir não apenas a nós mesmos, mas também para tentar acomodar as preocupações de cada país e contribuindo de forma conjunta para o crescimento de todas as economias, como força propulsora para melhorar a governança global.”

O líder chinês acrescentou que os cinco países poderão trocar cada um de seus pontos fortes em conhecimento, habilidades e recursos. "Vários caminhos podem ser explorados na área do desenvolvimento. Podemos utilizar tecnologias limpas e comunicação via satélite para oferecer saúde e educação de qualidade para todos”, concluiu.

Tags: bloco, brasil, cHINA, índia, russia

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