Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017

Economia

Crise com Portugal Telecom fere imagem da Oi e prejudica fusão

Jornal do Brasil

A aplicação de 897 milhões de euros da Portugal Telecom na Rioforte, supostamente fora do conhecimento da Oi, prejudica a imagem da empresa brasileira e o andamento do processo de fusão entre as duas empresas, que corria de forma positiva. Especula-se que a PT possa perder fatia de suas ações na empresa que resultará da fusão, a CorpCo, caso ocorra prejuízo, saindo de uma participação de 37% para algo entre 20% e 30%. Oi e Portugal Telecom, todavia, estariam tentando evitar a redução, que atrapalharia o processo de fusão, com a possibilidade dos minoritários da portuguesa contestarem.

>> Aplicação da Portugal Telecom gera crise com Oi

A Rioforte passa por dificuldades financeiras e a maior parte de sua dívida com a Portugal Telecom, 847 milhões de euros, vence no dia 15 deste mês. Ela é holding do Grupo Espírito Santo, sócio da Portugal Telecom. A imprensa portuguesa vem ressaltando que a empresa já deixou de pagar algumas de suas dívidas. É possível, acredita-se, que a PT renegocie os papéis comerciais da Rioforte.

O Grupo Espírito Santo, de acordo com informações de seu website, desenvolve atividades financeiras no Brasil, direta ou indiretamente, desde 1976, dois anos após a Revolução dos Cravos que derrubou o regime salazarista em Portugal. Como os acionistas viraram alvo de intensa perseguição política, o banco foi nacionalizado e os principais sócios deixaram Portugal. Iniciaram atividades financeiras no Brasil, na Suíça, na França e nos Estados Unidos, com destaque para a multiplicação dos negócios em terras brasileiras. Informações dão conta de que eles se associaram a grupos brasileiros causando grandes prejuízos. A família retomou o Banco Espírito Santo posteriormente.

O caso chama atenção pelo montante aplicado pela PT na Rioforte, que teria passado despercebido. A Oi afirma que não foi informada e que não participou da decisão de aplicação da verba na Rioforte. Com a divulgação da aplicação, representantes da Oi no Conselho da Portugal Telecom renunciaram ao cargo - Otávio Azevedo, presidente da Andrade Gutierrez, e Fernando Magalhães, da Jereissati Participações. O caso pode parar na comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, além das localizadas no Brasil e em Portugal.

O BNDES informou nesta terça-feira (8) que considera as operações “inconsistentes com padrões mínimos de boa governança corporativa” e que solicitou informações detalhadas sobre a aplicação.

Samy Dana, professor da FGV-SP, destaca que é difícil saber o que aconteceu de fato, se a Oi soube ou não da aplicação anteriormente, mas que, "de um jeito ou de outro", pode-se dizer que é preciso melhorar a governança da brasileira. "Eu acho que isso quebra a imagem da Oi para um mercado que não é tão forte. Precisaria ter um monitoramento melhor não só das empresas mas também por parte do órgão regulador." Para o professor, o caso "improvável" dificulta as negociações e o futuro das empresas, o que é um pouco ruim para a população como um todo.

Luiz Carlos Prado, professor de Economia da Universidade Federal Fluminense (UFF), lembra que a fusão anunciada prometia melhorar a situação financeira da Oi e alavancar a PT, considerando que o mercado português é pouco dinâmico. "Para a continuidade da operação, a participação da Portugal Telecom vai se reduzir. Isso envolve problemas junto a comissões do valores mobiliários e movimentos por parte de outros acionistas da Portugal Telecom que terão prejuízos por conta da Oi. Quanto à perspectiva da condição creditícia da Oi, que se esperava que iria melhorar, tudo isso criou uma sinalização ruim, uma turbulência numa operação que estava indo muito bem, gerando incerteza sobre os próximos passos."

Tags: ações, fusão, mercado, oi, portugal telecom

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