Jornal do Brasil

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

Economia

Project Syndicate: As veias abertas da América Latina

Ex-ministro da Venezuela discorda de exploração analisada no livro de Galeano

Jornal do Brasil

Ricardo Hausmann, ex-ministro de planejamento da Venezuela e ex-chefe econômico do Banco Interamericano de Desenvolvimento, publicou um artigo no Project Syndicate discordando da exploração analisada no aclamado livro de Eduardo Galeano, "As Veias Abertas da América Latina". 

Hausmann destaca que até mesmo Galeano já se manifestou contrário ao próprio livro, dizendo que não conseguia mais suportar ler a obra e que quando a escreveu lhe faltavam conhecimentos econômicos e políticos.

"Problemas atuais são resultado de ações malignas por parte de poderes estrangeiros que vieram só para explorar. Os pobres são pobres porque foram vítimas dos poderosos", diz o livro, segundo Hausmann. Ele admite que a superioridade tecnológica e o confronto podem arrasar o lado fraco, mas destaca que a difusão tecnológica pelas culturas pode ser mutuamente benéfica. De acordo com Hausmann, isso permite que todos façam mais com menos, gerando um extra que pode ser distribuído. 

O ex-ministro afirma que o real desafio para um patriota é obter o maior pedaço da torta, e não um grande pedaço de uma torta pequena. Ele diz que aqueles inspirados pelo livro de Galeano, como Chávez e Fidel, são mais propensos a criar "tortas muito pequenas", como por exemplo quando a intenção de Chávez era dobrar a produção de petróleo da Venezuela e o que ele conseguiu foi reduzí-la para um quinto.

Hausmann lembra que o petróleo sempre existiu, mas que para o desenvolvimento da indústria, outros muitos avanços tecnológicos precisaram ocorrer. Ele destaca que foi essa revolução tecnológica que tornou o petróleo valioso. Países como Venezuela, Arábia Saudita, Irã e Nigéria não sabiam usar dessas tecnologias, mas tinham o direito de restringir o acesso a seus recursos para extrair um arrendamento. A falha do livro de Galeano e de Chávez é descrever esta situação como uma vitimização, e não como sorte. 

O economista finaliza apontando que em países em desenvolvimento o progresso econômico requer absorver e adaptar tecnologias que existem em outros lugares, o que significa estabelecer relações com os países que as possuem. "Caracterizar estas relações como pura exploração acaba sugando as possibilidades da América Latina", conclui.

Tags: AMÉRICA LATINA, exploração, galeano, livro, Petróleo, tecnologia, Venezuela

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