Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Economia

Proporção do câmbio na dívida interna cai pela primeira vez em 13 meses

Agência Brasil

Pela primeira vez, em 13 meses, a parcela da dívida interna corrigida pelo câmbio caiu. Segundo números divulgados há pouco pelo Tesouro Nacional, a proporção da dívida mobiliária – em títulos – interna atrelada ao dólar passou de 10,69%, em abril, para 10,57% em maio. Foi a primeira diminuição mensal registrada desde abril do ano passado.

Apesar da queda percentual, a dívida interna vinculada ao câmbio subiu em valores absolutos, de R$ 209,50 bilhões, em abril, para R$ 214,64 bilhões em maio. A fatia do dólar na dívida interna começou a subir no ano passado depois que o Banco Central (BC) decidiu vender dólares no mercado futuro para segurar a cotação da moeda norte-americana. Chamadas de swap cambial tradicional, essas operações aumentam a participação do dólar na dívida pública interna.

Apenas no ano passado, o BC injetou US$ 100 bilhões no mercado futuro. Neste ano, a autoridade monetária está leiloando US$ 200 milhões diários. Recentemente, o BC anunciou que continuará com os leilões de swap até pelo menos o fim do ano.

Embora tenha caído, a proporção da dívida interna vinculada ao dólar continua no maior nível desde outubro de 2004, quando atingiu 11,24%. O percentual leva em conta os critérios do BC. Ao considerar os parâmetros do Tesouro Nacional, que desconsidera as operações de swap da dívida pública, a fatia do câmbio é bem menor e caiu de 0,55%, em abril, para 0,53% em maio.

Apesar de estar no maior nível em oito anos, a exposição da dívida pública ao câmbio continua em percentuais inferiores aos observados em crises econômicas anteriores. Em dezembro de 1999, por exemplo, a parcela da dívida corrigida pelo câmbio somava 22,82%. Em dezembro de 2002, quando o real sofreu um forte ataque especulativo, a proporção chegou a 37%.

Depois de apresentar piora em abril, a composição da Dívida Pública Federal (DPF) melhorou em maio. A proporção de títulos prefixados – com taxas definidas com antecedência – na dívida mobiliária interna subiu de 39,79% em abril para 40,82% em maio. A fatia dos papéis corrigidos por índices de inflação caiu levemente, de 39,30% para 38,36%. A parcela de títulos corrigidos pela Selic, taxa básica de juros da economia, ficou estával, passando de 10,22% para 10,24%.

Com taxas definidas antecipadamente, os títulos prefixados são preferíveis para o Tesouro Nacional, porque dão maior previsibilidade à administração da dívida pública. Em contrapartida, os papéis vinculados à Selic representam mais risco, porque pressionam a dívida para cima, caso o BC tenha de reajustar os juros básicos por causa da inflação.

Depois de bater recorde em abril, quando atingiu 4,51 anos, o prazo médio de vencimento da DPF caiu para 4,43 anos em maio, mas a queda era esperada por causa da emissão de títulos prefixados no mês passado. O Tesouro Nacional não divulga o resultado em meses, apenas em anos. A participação dos vencimentos nos próximos 12 meses aumentou de 25,52% para 28,74%. Prazos mais longos são favoráveis ao Tesouro porque dão ao governo mais tempo para planejar e executar as operações de rolagem (renegociação) da dívida pública.

Por meio da dívida pública, o governo pega emprestado dos investidores recursos para honrar compromissos. Em troca, compromete-se a devolver os recursos com alguma correção, que pode ser definida com antecedência, no caso dos títulos prefixados, ou seguir a variação da taxa Selic, da inflação ou do câmbio.

 

Tags: Câmbio, dados, economia, Secretaria, tesouro

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