Jornal do Brasil

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

Economia

Juros do crédito rural subiram menos que taxa Selic, diz ministro

Agência Brasil

Apesar de terem subido este ano, os juros dos financiamentos rurais continuam baratos, disse hoje (5) o ministro da Agricultura, Neri Geller. Segundo ele, as taxas das linhas de crédito do Plano Safra aumentaram um ponto percentual em 2014, enquanto a taxa Selic – juros básicos da economia – passaram de 7% para 11% no último ano, com alta de quatro pontos percentuais.

“Os juros do crédito rural são os mais baixos para o financiamento do setor, principalmente se comparados à taxa Selic”, disse o ministro ao participar de seminário sobre crédito rural em Brasília, promovido pelo Banco Cooperativo do Brasil (Bancoob) e pelo Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (Sicoob).

As taxas dos financiamentos rurais, ressaltou o ministro, estão entre 3,5% e 6,5% ao ano, bem abaixo dos 11% ao ano definidos pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central para a Selic. Mesmo com o aumento deste ano, os juros dos financiamentos agropecuários continuam inferiores aos de outros anos. “Os juros permanecem mais baixos que em 2003, quando variavam de 8,75% a 14% ao ano”, destacou.

Para oferecer taxas mais baixas que as de mercado, o Plano Safra 2014/2015 oferece R$ 8,15 bilhões às cooperativas rurais de crédito. Do total, R$ 7,25 bilhões destinam-se à equalização das linhas de custeio e de comercialização da safra, e R$ 900 milhões são para a equalização dos investimentos. A quantia permaneceu inalterada em relação ao ano passado, mas o limite individual para as linhas de custeio subiu de R$ 1 milhão na safra passada para R$ 1,1 milhão.

O superintendente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Renato Nobile, considera preocupante a alta dos juros. “A taxa máxima subiu de 5,5% para 6,5% ao ano. Pode parecer pouco, mas é um aumento de quase 20%. A gente entende a posição do governo, que foi obrigado a reajustar os juros do crédito rural por causa da Selic, mas a questão é preocupante”, declarou.

O Plano Safra destina R$ 700 milhões para o seguro rural, que indeniza produtores em caso de quebra de safra. Durante o seminário, o secretário do Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Seneri Paludo, disse que o governo estuda mudanças no modelo de seguro rural para os próximos anos. As apólices, segundo ele, deixariam de estar atreladas apenas à produção e passariam a considerar também o faturamento.

“Quando a receita do produtor fica abaixo de um limite mínimo, o seguro seria pago. Essa é uma maneira de fazer o seguro rural cobrir não apenas a quebra da produção, mas eventuais quedas de preços. É um modelo mais lógico e mais justo para o produtor rural”, disse. O secretário, no entanto, esclareceu que o novo modelo está em estudo e não tem data para entrar em vigor.

O Plano Safra beneficia os produtores que cumprem exigências ambientais com um aumento de 45% no limite de crédito individual, contra 30% no ano passado. Para o superintendente do Sicoob de Rio Verde (GO), Edson Melo, o aumento no limite representa um estímulo para que os agricultores atuem de forma ecologicamente correta. “O produtor que planta com semente certificada, reservas registradas e cumpre uma série de exigências ambientais precisa ter uma compensação porque investiu mais”, explicou.

Tags: AGRICULTURA, Juros, Plano, Safra, taxas

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