Jornal do Brasil

Domingo, 31 de Agosto de 2014

Economia

Presidente do BVA teve salário elevado em 20 vezes antes de crise no banco

BC aponta que aumento da remuneração foi contra situação financeira da instituição

Jornal do Brasil

O salário do então presidente do banco BVA, Ivo Lodo, cinco meses antes da intervenção do Banco Central, tinha aumentado de R$ 50 mil para RS$ 1 milhão por mês, em maio de 2012. De acordo com relatório do BC, o aumento contrariou a situação financeira da instituição bancária, que passava por dificuldades. Em outubro de 2012, o banco tinha um rombo de R$ 1,6 bilhão em suas contas. Na semana passada, reportagem do Estado de S. Paulo revelou que o BVA teria contado com fraudes contábeis, desvio de recursos e gestão temerária durante comando de Lodo, entre 2007 e 2011.

>> BC aponta indício de fraudes no BVA com suspeita de participação do Petros

De acordo com o Banco Central, o reajuste salarial fez com que Lodo recebesse R$ 7 milhões a mais do que havia ganhado no ano anterior. O executivo, de acordo reportagem da Folha de S. Paulo, nega que tenha recebido a verba extra e que o aumento teria sido uma medida criada para atender norma criada pelo Banco Central, que obrigaria os bancos a instituir um teto salarial aos seus executivos. Afirmou ainda que embora o teto tenha chegado a R$ 1 milhão, só realizava saques na faixa de R$ 40 mil mensais. Lodo também negou as acusações de desvio de recursos.

O BC colocou o BVA em processo de liquidação oito meses depois, em junho de 2013, e Lodo e executivos do banco foram banidos do mercado por até 20 anos. Relatório do Banco Central aponta que o Banco BVA teria contado com fraudes contábeis, desvio de recursos e gestão temerária durante comando de Ivo Lodo, entre 2007 e 2011. O fundo de pensão de empregados da Petrobras, o Petros, também estaria envolvido na história, com um suposto conluio dos seus gestores em empréstimos irregulares. Em nota, o fundo informou que não teve acesso ao relatório e, "portanto, não teria elementos suficientes para se pronunciar". 

Para o Banco Central, o objetivo do BVA seria reduzir seu lucro para pagar menos impostos ou então formar um "caixa dois" para desviar verba para os seus responsáveis. Entre 2009 e 2012, estes teriam desviado R$ 224 milhões a partir da conta corrente de supostos prestadores de serviços. Em dividendos e bônus, em cinco anos, receberam R$ 238 milhões. De acordo com trecho divulgado pelo jornal paulista, uma "complexa estrutura contábil" teria sido instalada, "violando regras básicas da contabilidade.

No dia da intervenção do Banco Central, em 19 de outubro de 2012, o prejuízo do BVA estava em R$ 1,6 bilhão. O relatório, composto por 8.322 páginas, descreve as operações suspeitas, mas não detalha as movimentações do caixa do BVA, a princípio por questões de tempo de investigação. Conforme o Banco Central, empresas terceirizadas atuariam no desvio de recursos, que teriam recebido R$ 210 milhões, pagos quase em sua totalidade em espécie, por serviços que não teriam sido prestados. 

Quatro gestores do Petros foram apontados como envolvidos no esquema e seriam autores de crimes de gestão fraudulenta em empréstimos de R$ 100 milhões à Providax, holding de um call center chamado Vidax, que chegou a pertencer a gestores do banco. O Banco Central informa no relatório que o fundo teria concedido crédito diretamente à Providax, sem analisar ainda a capacidade financeira da empresa. A Petros divulgou nesta quinta-feira uma nota de esclarecimento, informando que "não tem elementos suficientes para se pronunciar sobre o assunto".

Tags: banco central, bva, desvio, ivo lodo, Salário

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