Jornal do Brasil

Sábado, 26 de Maio de 2018 Fundado em 1891

Economia

STJ favorece poupadores em recursos sobre juros nos expurgos da poupança

Bancos foram derrotados na Corte Especial por 8 a 6

Jornal do Brasil Luiz Orlando Carneiro

Por 8 votos a 6, em sessão nesta quarta-feira (20/5), a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça favoreceu os poupadores, no julgamento de dois recursos de bancos referentes aos juros de mora a serem pagos na devolução de expurgos de poupanças ocorridos em decorrência dos planos econômicos das décadas de 80 e de 90.

Os recursos discutiam o momento a partir do qual se considera o atraso na reposição dos expurgos determinada em ação civil pública, mas executada individualmente: se da citação na ação de execução ou na ação civil pública.

A Corte do STJ decidiu que os juros devem ser aplicados a partir da citação dos bancos, e não a partir da execução individual da sentença.

A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) sustentou que o próprio tribunal já tinha definido que a sentença genérica não autoriza o cumprimento espontâneo pelo devedor. Os advogados dos bancos procuraram demonstrar que não se pode considerar que o devedor está em atraso se a dívida não é exigível nem o valor sabido.

O Banco do Brasil, por sua vez, procurou demonstrar que a execução individual cria nova relação processual, entre novas partes, e que autor individual precisa provar condição de credor da condenação genérica. O Banco Central, por sua vez, calculou que a diferença de contas pode fazer a dívida variar de R$ 23 bilhões a R$ 341 bilhões. Mas que o valor, “incerto”, não poderia nem mesmo ser previsto pelas instituições bancárias. O procurador do Bacen chegou a dizer: “No Brasil, até o passado é incerto".

Os advogados dos poupadores insistiram na tese de que os os bancos sabem a quem devem, quanto devem e em que circunstâncias, tanto que estimam prejuízos.

STF ainda vai falar

A decisão sobre a correção no STJ fica ainda na dependência do julgamento definitivo do Supremo Tribunal Federal no qual será tomada uma decisão sobre a validade dos planos econômicos da legalidade da correção monetária dos valores das cadernetas de poupança, que seria realizado em março, mas foi adiado.

Os planos econômicos alteraram o cálculo da correção monetária dos saldos da poupança. Quase 400 mil processos sobre planos econômicos estão com a tramitação suspensa em diversos tribunais, desde 2010, à espera de uma decisão final do STF. Os autores das ações argumentam que tiveram perdas e querem receber os valores corrigidos com base na inflação.

 



Tags: Tribunal, expurgos, justiça, poupança, superior

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