Jornal do Brasil

Sexta-feira, 19 de Setembro de 2014

Economia

Saara: comerciantes denunciam queda nas vendas após alterações da Prefeitura

Corte de estacionamentos é a principal reclamação. Paes se reunirá com Associação na sexta-feira

Jornal do BrasilAna Luiza Albuquerque*

As mudanças instituídas pela Prefeitura no Centro do Rio de Janeiro vêm trazendo problemas para os comerciantes da região. Diversos lojistas do Saara garantem que as vendas caíram após as alterações realizadas pelo prefeito Eduardo Paes. "É uma queixa comum dos comerciantes que a clientela diminuiu. A Prefeitura eliminou 1.600 vagas no Centro, fez várias mudanças no trânsito e cortou diversas linhas de vans que faziam o trajeto do subúrbio para cá. Isso afastou os clientes. Houve uma queda de 30% a 35%", atesta Denis Darzi, presidente da Associação Comercial do Centro Rio e dono da loja Parati Decorações. 

"As pessoas não sabem mais dirigir no Centro, têm medo de tomar multa. Eliminaram as vagas na Rua Buenos Aires, mas você vê caminhões de carga estacionados. A Prefeitura fez tudo de forma muito desorganizada, nem eles cumprem o que determinam. Aos sábados, a pista da direita da Avenida Presidente Vargas funcionava como estacionamento. Hoje não tem mais isso, jogaram para o lado da Avenida Marechal Floriano. Os poucos estacionamentos privados são pequenos e colocam o preço muito elevado, fora da realidade", continua. 

Darzi informa que a Associação tem uma reunião marcada com Paes na sexta-feira (9). "Espero que o encontro consiga reverter este quadro. Queremos voltar com o estacionamento na Presidente Vargas aos sábados, devolver áreas de estacionamento eliminadas e um reordenamento urbano, porque o governo ficou de fazer um trabalho mais firme no Centro. Tem muitos camelôs, ambulantes, então ficaram de trabalhar em cima disso porque afeta o comércio também", aponta.

O comerciante conta que a situação já teve como consequência um corte no quadro de funcionários. "De janeiro ao final de abril já há uma redução natural no quadro de funcionários, mas isso foi mais acentuado em função da queda nas vendas. Como caiu mais do que o esperado, acabam eliminando vagas", esclarece.

Luis Blumberg, vice-presidente da Associação e dono da loja Di Mona, espalhada em quatro unidades no Polo Econômico Centro Rio, critica a atitude da Prefeitura ao pedir para o carioca evitar o Centro. "Houve uma campanha muito dura dizendo para as pessoas não virem ao Centro. Ficaram repetindo isso e as pessoas pararam de vir. Tivemos uma queda de 30% a 40% em relação à última Copa do Mundo, quando na verdade esperávamos um crescimento", assegura. 

"O comércio no Centro está sofrendo por causa das obras, das inversões das ruas, da mudança na Perimetral e da proibição de estacionamento. Por exemplo, a pessoa vem comprar 100 camisas, vai levar no metrô? Antigamente ela viria de carro e pararia em algum lugar, mas hoje não tem mais como. É uma mudança muito grande", denuncia. O lojista informa que passou até a fazer entregas, mas que não compensa. "Se for assim eu não preciso ter loja no Centro, posso me mudar para São Cristóvão que eu pago menos. Inclusive em uma das reuniões que tivemos, a CET-Rio falou para a gente que o certo era sair do Centro", condena. Blumberg afirma que no encontro de sexta-feira outro pedido será uma saída na estação do metrô da Presidente Vargas com o nome de "Saara". A atuação mais contundente da Guarda Municipal, por sua vez, serviria, ainda, para o combate a pequenos furtos.

"As pessoas estão evitando o Centro, o próprio prefeito fala para elas evitarem", lembra Carolina Simão, dona da loja Universo Perfumaria. "As vendas caíram muito. Tem falta de estacionamento, os pontos de ônibus são outros, as pessoas sempre reclamam por causa do trânsito... Está tudo muito confuso. Nem para o Dia das Mães, que é o segundo melhor dia do ano para a loja, estamos tendo movimento forte", reclama a lojista.

Elaine Cristina, gerente da loja Dandazinho, diz que a loja também teve que cortar vagas. "Estão trabalhando três funcionários em uma loja na qual trabalhavam dez. Está horrível, houve uma queda muito grande, aqui foram uns 80% a menos. Está todo mundo assustado e reclamando", lamenta. Para ela, a explicação é a mesma. "O acesso para o Centro está difícil e o pessoal não pode mais estacionar. Sábado enchia mais, porque tinha o estacionamento, mas agora acabou. Acho que não vai melhorar com a Copa, porque todas as lojas que colocaram material do Brasil não estão conseguindo vender os produtos e estão tendo prejuízo", conclui a comerciante.

*Programa de Estágio Jornal do Brasil

Tags: Centro, comércio, eduardo paes, mudanças, prefeitura, reclamações, Saara, vendas

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.