Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Economia

'Financial Times': Rio Tinto acusa Vale de conspiração em disputa por Simandou

Empresa anglo-australiana entrou com ação em Nova York contra a brasileira

Jornal do Brasil

O Financial Times falou na última sexta-feira (2) sobre a batalha entre o grupo anglo-australiano Rio Tinto e a brasileira Vale, as duas maiores empresas de minério de ferro no mercado mundial, pelo depósito guineense que o jornal classifica como um “tesouro de minerais”. De acordo com o Financial Times, uma ação da Rio Tinto alegando ter sido enganada pela Vale lança uma luz sobre a disputa.

O jornal conta que a empresa anglo-australiana apresentou a ação em Nova York na última quarta-feira (30), alegando que a Vale teria conspirado com Beny Steinmetz e a BSG Resources para tirar parte dos direitos da Rio Tinto sobre o depósito de ferro na Guiné.

A Rio Tinto teria obtido a concessão de Simandou em 1997 e ao longo dos 11 anos seguintes alegaria ter investido centenas de milhões na exploração. De acordo com o processo que o Financial Times aborda, em agosto de 2008 a empresa entrou em negociações com a Vale e permitiu a acesso à “informações altamente confidenciais e de propriedade”. Essa informações teriam sido indevidamente divulgadas para a BSGR como parte de um esforço conjunto para arrebatar um pedaço de Simandou de forma ilícita.

O jornal lembra que em dezembro de 2008, direitos de concessão da Rio Tinto foram transferidos pelo ex-presidente Lansana Conté para que a BSGR, a mineradora do conglomerado de Steinmetz, obtivesse direitos de exploração da metade norte do depósito. Menos de 18 meses depois , a Vale anunciou um acordo para comprar uma participação de 51% dos ativos da BSGR da Guiné, quando ambas criaram a VBG em um acordo de US$ 2,5 bilhões .

No último mês, o governo atual da Guiné retirou a licença da VBG de operar Simandou, após a determinação de que houve fraude na obtenção das licenças pela BSGR.

De acordo com o Financial Times, o porta-voa da BSGR e de Steinmetz negou as acusações de corrupção e na quarta-feira classificou a processo como algo “infundado”, além de ter sustentado que a Rio Tinto perdeu seus direitos na região por ter falhado ao demorar muito tempo para desenvolver Simandou.

O Financial Times lembra ainda de que a BSGR ofereceu em um comunicado de 2013 uma versão diferente dos acontecimentos.  O grupo diz que  após ter adquirido os direitos da metade norte de Simandou, se reuniu com três outros potenciais investidores – a autoridade de Investimento da Líbia e os grupos chineses Chinalco e Baosteel – antes  de chegar ao fechamento do contrato com a Vale. A BSGR diz que foi abordada pela Vale no início de 2010 e que a abordagem foi seguida por “semanas intensas de negociações”.

Na quinta-feira (1) a Vale se recusou a comentar o relato da BSGR, mas disse que realizou uma extensa coleta de dados antes do acordo e que recebeu dados de que a BSGR tinha obtido os direitos de mineração de forma lícita e sem quaisquer promessas ou pagamentos corruptos.

A Rio Tinto se queixa de que a suporta conspiração para tomar a parte norte de Simandou custou bilhões de dólares e buscando recuperar os danos em indenização a ser determinada em julgamento. Contudo, o Financial Times pontua que o prêmio final é ainda maior.

Rio Tinto e Vale possuem hoje dois dos depósitos de ferro mais importantes do mundo, respectivamente na Austrália e no Brasil. De acordo com analistas, poucos depósitos correspondem ao tamanho e qualidade de Simandou. Portanto, segundo a matéria do Financial Times, o controle de Simandou representaria uma posição dominante na indústria da mineração de ferro em gerações futuras.

Tags: bsgr, ferro, guiné, MINERAÇÃO, rio tinto, simandou, vale

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.