Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Economia

Produção de veículos no Brasil recua 8% e exportação despenca

Portal Terra

A produção de veículos no Brasil somou 0,79 milhão nos primeiros três meses do ano, ante 0,86 milhão no mesmo período de 2013, o que representa um declínio de 8,4%, segundo dados da Associação Nacional da Fabricantes (Anfavea). Em março, foram fabricadas 271,2 mil unidades no País, ante 281,5 mil em fevereiro.

Nos últimos 12 meses, a produção ainda apresenta alta de 3,4%, o que mostra descompasso em relação aos licenciamentos, que já têm queda de 1,7% na mesma comparação. As exportações tampouco são uma opção para equilibrar a equação. O número de veículos montados que saíram do Brasil no primeiro trimestre foi de 75 mil - uma diferença de 32% ante as 111 mil unidades exportadas no mesmo período do ano passado.

Se os primeiros meses do ano não foram bons para as marcas com produção local, pior para os importadores. A fatia de carros estrangeiros nos licenciamentos de março atingiu 16,5% do total - menor índice desde o início de 2012. Pelo menos, o nível de emprego no setor ainda segue estável com 155 mil trabalhadores.

Impactos

De acordo com o presidente da Anfavea, Luiz Moan Yabiku, o resultado do mês foi afetado pelo Carnaval, pelo fim do estoque com IPI reduzido - o imposto foi elevado em janeiro - e pela obrigatoriedade de itens de segurança como airbag e freios ABS, que encareceram os automóveis. Além disso, março de 2013 teve vendas aceleradas pela expectativa de aumento do IPI em abril, o que gerou uma base de comparação alta.

Outro dado preocupante é o estoque de veículos, que passou para 387 mil unidades, representando 48 dias de vendas, ante 37 dias em fevereiro. Neste mês, as concessionárias devem trabalhar para reduzir este estoque, o que significa um maior número de promoções e feirões, segundo Moan. "A criatividade das associadas será essencial para reduzir o estoque".

Desta vez, o governo de Dilma Rousseff não deve ajudar. Conforme o presidente da Anfavea, no início do ano a sinalização da administração pública foi de uma mudança na política macroeconômica de redução das desonerações para o consumo e desvio dos esforços para atrair investimentos. "Temos hoje a maior carga tributária do mundo sobre veículos. Quando há redução, nada mais é do que a prova de que temos mais capacidade de venda, produção e emprego. Então qualquer aumento de tributos sobre carros no Brasil, para mim, é equivocada", afirmou Moan.

Como resposta, a Anfavea tenta ampliar o uso de novas formas de vendas, como o leasing, que é indicado para pessoas jurídicas e pode liberar mais volume para o Crédito Direto ao Consumidor (CDC), que é mais utilizado por pessoas físicas. "Já tivemos uma evolução: no primeiro trimestre de 2013 a modalidade era 1,6%, e neste ano já estamos em 2,1%", afirmou Moan.

Além disso, a associação das fabricantes fez uma parceria com a Caixa Econômica Federal para promover um "feirão do automóvel" de abrangência nacional, no próximo dia 10 de abril, assim como a instituição faz com imóveis. "Cerca de 4 milhões de clientes da Caixa terão crédito pré-aprovado e poderão ir a concessionária de preferência para adquirir o veículo", afirmou Moan.

Tags: associação, fabricantes, nacional, queda, veículos

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