Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Economia

DCH: tecnologia sustentável para produção de etanol

Produção de etanol em grãos beneficia propriedades rurais do Sul do País

Jornal do BrasilLouise Rodrigues*

O desenvolvimento de uma nova tecnologia de produção de etanol em grãos promete criar arranjos comerciais mais sustentáveis no Sul do país. A novidade é economicamente viável para usinas de pequeno porte e pode ser facilmente operada em nível de propriedades rurais. Outra vantagem está na eficiência, tanto energética quanto no processo fermentativo. A iniciativa, que surgiu em 2007, começou a se concretizar em 2011, quando foi inaugurada a primeira usina de etanol cadastrada na Agência Nacional do Petróleo (ANP) com produção em pequena escala e a partir de amido de grãos.

Um dos desafios da nova tecnologia é manter a qualidade do etanol produzido por usinas de pequena escala (até 20.000lt/dia) no padrão da ANP. O projeto é uma parceria entre a USI (Usinas Sociais Inteligentes S/A), a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos, o BNDES, a Companhia Americana CHS Inc, o Centro Internacional de Agricultura Tropical (Colômbia), a DuPont, a EMBRAPA, o Instituto Energia e Desenvolvimento Sustentável, a Universidade Federal do Amazonas, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Vale S.A.

O etanol de grãos pode ser destinado ao uso carburante - anidro e/ou hidratado - ou com fins industriais - bebidas, alimentícios, farmacêuticos, cosméticos e outros -. Segundo Francisco Mallmann, engenheiro agrônomo e diretor-presidente da USI, a construção de novas usinas e o desenvolvimento da tecnologia continua nos planos, mas existem outros objetivos que precisam ser cumpridos, como a formatação de arranjos comerciais sustentáveis a médio e longo prazo.  “Acreditamos que, no Brasil a situação é diferente dos Estados Unidos, onde não existe a produção de cana-de-açúcar. Assim, o etanol de grãos só se torna um bom negócio para os brasileiros em determinadas oportunidades de mercado”, explica. O engenheiro alerta que existem casos em que a produção de etanol de grãos se torna igual ou mais rentável do que o etanol produzido a partir da cana-de-açúcar, contudo, em função de problemas regionais, é preciso formatar arranjos comerciais vantajosos para todos os envolvidos.

No Mato Grosso, por exemplo, o problema está baixa valorização comercial do milho devido à distância dos portos para exportação. A solução encontrada pela USI foi transformar o milho, que está subvalorizado, em etanol carburante e com fins industriais. Logo, a comercialização é realizada localmente e também segue para os Estados do Norte do país, onde a produção de etanol a partir de cana-de-açúcar está proibida por lei.

Arroz Desclassificado para Consumo Humano

A Embrapa Clima Temperado, de Pelotas, desenvolveu uma nova variedade de arroz com características próprias para produção de etanol e alimentação animal. O chamado Arroz Desclassificado para Consumo Humano (DCH) tem o dobro do tamanho, alto potencial de produção e o mesmo custo de uma lavoura de arroz comum. Entre as principais vantagens do chamado “arroz gigante” está o teor de amido elevado, necessário para a produção de etanol.

No Rio Grande do Sul, por exemplo, 99% do etanol consumido é importado. Isso acontece devido às baixas temperaturas do Estado durante o inverno, o que impossibilita a produção de cana-de-açúcar. Assim, a solução encontrada, segundo Mallmann, foi o DCH. Para suprir 12% da demanda do Rio Grande do Sul por etanol, o projeto da USI utilizará 2,8% das terras gaúchas destinadas à lavoura de arroz. Isso significa que, dos 1.078.833 hectares plantados, apenas 30.000 hectares serão convertidos para o cultivo de variedades de arroz DCH. “Somado a isso, as usinas vão produzir e comercializar, CO2, vinhaça (para utilização na alimentação animal), farelo e casca de arroz. Todos estes produtos têm mercado e fazem parte da composição dos resultados do empreendimento”, observa o engenheiro. A construção das usinas no Estado conta com linhas de financiamento do BNDES e benefícios fiscais oferecidos pelo Governo do Rio Grande do Sul.

* Do Projeto de Estágio do Jornal do Brasil

Tags: agrícola, AGRICULTURA, álcool etílico, arroz gigante, bens de consumo, combustivel, economia, embapra, Tarso Genro

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