Jornal do Brasil

Domingo, 22 de Abril de 2018 Fundado em 1891

Economia

Reajuste de medicamentos não causa impacto na inflação deste ano

Aumento na tarifa de ônibus, sobretudo no Rio, e em energia devem gerar efeito no IPCA

Jornal do Brasil Pamela Mascarenhas

O reajuste no preço dos medicamentos, que entrou em vigor nesta segunda-feira (31), vem dentro do esperado pelo mercado e não deve gerar grande impacto no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) deste ano. Outros reajustes, como de ônibus urbanos, energia elétrica e gasolina, no entanto, jogam a expectativa de inflação do mercado para cima.

Indústrias farmacêuticas e distribuidoras podem adotar o reajuste de até 5,68% nos preços de medicamentos regulados pelo governo. De acordo com o Ministério da Saúde, a regulação é válida para mais de 9 mil medicamentos, mais de 40% deles na categoria nível três – de menor concorrência, cujas fábricas só poderão ajustar o preço teto em 1,02%.

A Tendências Consultoria, levando em conta a intensa concorrência da indústria farmacêutica, calcula um reajuste médio de 3,5% nos medicamentos. O aumento anunciado era o esperado pela consultoria, que considera um impacto de 0,11 ponto percentual no IPCA a partir da média. "[O aumento no preço dos medicamentos] não vai promover nenhuma mudança na expectativa da inflação anual", analisa Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria. Ela reforçou a alta na inflação do primeiro trimestre, acima do esperado, devido à contribuição dos alimentos, passagem aérea e serviços.

Outros reajustes, que devem gerar impacto no índice, são esperados pela Tendências. O aumento no preço dos ônibus urbanos é um deles. O acréscimo na tarifa do Rio de Janeiro, destaca Alessandra, foi muito além do esperado pelo mercado. Em janeiro, a prefeitura do Rio de Janeiro autorizou o aumento de R$ 2,75 para R$ 3 - um acréscimo de 9,9%. São Paulo já anunciou que não vai reajustar a tarifa neste ano, mas outras regiões metropolitanas podem alterar o preço do ônibus, na casa dos 4,5%, calcula. O item ônibus urbano deve então, acredita, subir 3,3% em 2014.

Em relação à energia elétrica, os meses de abril, maio e junho podem oferecer reajustes significativos, ressalta, com uma alta em torno de 8%. A demanda pela energia elétrica, por sua vez, só tem aumentado, o que pode causar maiores impactos no preço. De acordo com informação divulgada pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) na última quinta-feira (27), o consumo de energia elétrica demandado ao Sistema Interligado Nacional (SIN) cresceu 8,6% em fevereiro, em relação ao mesmo mês do ano passado, atingindo 41.403 gigawatts-hora (GWh).

A Tendências não espera reajuste no preço da gasolina neste ano, levando em conta o processo eleitoral, mas, sim, na tarifa do óleo diesel, já que este não causa efeito expressivo no IPCA. 

Leonardo França Costa, economista da Rosenberg Associados, por sua vez, acredita que o reajuste da gasolina pode vir até dezembro deste ano, com a possibilidade de ser anunciado após o período de eleições. Para a consultoria, o aumento da gasolina deve ficar em torno de 10%. 

Outro fator de grande influência no IPCA pode ser algum reajuste em energia elétrica, aponta a Rosenberg Associados, que prevê algo em torno de 9,5%, em sintonia com a projeção do Banco Central. O reajuste dos medicamentos, por sua vez, também estava dentro do esperado pela RA.



Tags: energia, inflação, ipca, medicamentos, onibus

Compartilhe: