Jornal do Brasil

Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Economia

'FT' critica efeitos das políticas brasileiras com Petrobras no mercado

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Matéria do Financial Times afirma que boato sobre as intenções de votos para a presidente Dilma Rousseff nas próximas eleições tem afetado o mercado de ações. O controle imposto pelo governo aos preços de combustíveis distribuídos pela Petrobras, para tentar conter a inflação, ganha destaque.

Os investidores teriam corrido para comprar as ações da Petrobras, esperando que a "outrora poderosa liderança" de Dilma contra candidatos da oposição poderia estar diminuindo, abrindo uma oportunidade para a Petrobras retornar à lucratividade.

Para a publicação, a presidente Dilma chegou ao poder em meio a expectativas de que ela seria eficiente em termos de estilo, mas que não conseguiu ganhar a confiança do mercado. O índice de 43% das intenções de votos para Dilma também é lembrado, assim como as críticas de que seu governo teria embarcado em uma série de desventuras de política econômica, que nesta semana levou a Standard & Poor's  (S&P) a rebaixar o rating de crédito do Brasil, "colocando em risco 15 anos de credibilidade duramente conquistada nos mercados financeiros".

A matéria ressalta que candidatos da oposição, como o Governador do Estado de Pernambuco, Eduardo Campos, também têm atacado o suposto problema. Em um discurso, na terça-feira (25), em São Paulo, Campos disse que “há outros países com mais problemas do que o Brasil, mas que existe aqui uma crise de expectativas e de confiança”.

O governo da presidente Dilma rejeita vigorosamente essas críticas, e com razão, diz a matéria. A economia do Brasil cresceu 2,3% no ano passado, abaixo da média anterior do país que era cerca de 4%, mas muito melhor do que o desempenho "medíocre" de outros pares de mercados emergentes, como o México, Rússia e África do Sul. O Brasil também continua resistente contra choques externos, graças às grandes reservas internacionais, sistema bancário relativamente sólido e economia internamente orientada, aponta o FT.

O problema que os investidores têm com o governo de Dilma, destaca a matéria, é que ela sempre pareceu uma "pessoa em uma camisa de força", ansiosa para sair das restrições impostas pela economia de mercado e que, desde de o início, o governo tem sido obcecado em manipular as alavancas da economia, em vez de resolver problemas fundamentais.

Em 2010, quando a política monetária dos EUA levou a uma maior entrada de recursos estrangeiros, o Brasil declarou uma "guerra cambial" nos mercados, impondo impostos sobre os investidores, para tentar fazer com que sua taxa de câmbio fosse mais competitiva. A guerra cambial, acredita o FT, prejudicou a reputação do Brasil como destino de investimento consistente e previsível.

A matéria também lembra que Dilma Rousseff já foi ministra de Minas e Energia e que a Petrobras deveria ter sido um ponto forte em sua administração, mas que foi, em vez disso, um desastre. Apesar de ter feito a maior descoberta de petróleo offshore do mundo, em 2007, as ações despencaram, "por conta da política oficial do Governo de suprimir os preços dos combustíveis para controlar a inflação".

Com Dilma parecendo como favorita nas pesquisas para presidente, economistas se perguntam se o governo iria continuar em um segundo mandato com as mesmas "muito criticadas" políticas ou retornar à postura convencional de seus antecessores.

De qualquer maneira, continua, a maioria prevê que o Brasil será forçado a submeter-se a um ajuste terminando o controle de preços e retornando a disciplina orçamental no próximo ano ou em dois anos, "Dilma gostando ou não". Quanto mais cedo se tratar, após a eleição, menos doloroso será, finaliza a matéria.

Tags: dilma, financial, mercado, Petrobras, times

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