Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Julho de 2014

Economia

'FT' critica discurso do ministro da Fazenda após corte da nota do Brasil

Jornal do Brasil

O Financial Times publicou matéria nesta quarta-feira (26) sobre as declarações do ministro da Fazenda, Guido Mantega, após o corte do rating brasileiro pela agência Standard & Poor’s (S&P). A publicação inglesa, assinada por Jonathan Weathley,rebate cada um dos argumentos do ministro, concordando apenas com a parte de que o Brasil ainda atrai altos volumes de investimentos diretos estrangeiros. Para o FT, a queda na nota se soma ao coro de reclamações de muitos na comunidade de investimentos e até, acredita, entre os próprios brasileiros, de que a “outrora promissora história de crescimento do país está em frangalhos”.

Antes de iniciar uma análise pontual do discurso do ministro, a publicação indica que tratou-se de uma declaração redigida fortemente, discordando ponto por ponto da decisão da S&P. O primeiro ponto seria a alegação da agência norte-americana de que o Brasil estaria com um crescimento lento – um dos motivos para a queda. O ministro pontua então que durante o período da crise iniciada em 2008 o Brasil cresceu 17,8%.

Para o FT, no entanto, como o Brasil não seguiu o crescimento nos anos seguintes, a perspectiva é uma “tentativa inútil de olhar para trás”. Ninguém questiona o crescimento de 7,5% em 2010, diz, mas o problema seria que o deste ano deve ser algo em torno de 1,7% - “bem longe do potencial e necessidades do Brasil”.

O segundo ponto seria relacionado à indicação de que a S&P estaria errada por questionar a política fiscal, considerando que o país tem gerado um dos maiores superávits primários do mundo nos últimos 15 anos. Para o FT, dar uma declaração dessas é pedir briga. Para reforçar o argumento, o jornal recorre a uma declaração de Samantha Pearson, correspondente do FT no Brasil.

“Ano passado, o Brasil falhou em atingir a meta de superávit primário, ainda que tenha sido revisada para 2,3% de 3,1%. O governo também recorreu a métodos duvidosos para sobreviver ao longo dos últimos anos, incluindo “contabilidade criativa” e exercendo pressão sobre as autoridades fiscais para liquidar disputas de taxas fiscais multibilionárias”.

No terceiro ponto do discurso, continua, o ministrou “firma os pés no chão”, ao ressaltar que o Brasil continua a atrair volumes altos de investimento direto estrangeiro, com US$ 65,8 bi entrando no país nos últimos doze meses até fevereiro.

Mas no quarto ponto, “o ministério está de volta em apuros”, ao destacar que as contas externas do Brasil não são uma fonte de vulnerabilidade, já que o país tem reservas cambiais igual a 10 vezes a sua dívida de curto prazo. A publicação considera válido acrescentar dois comentários: “primeiro, que o Brasil não é tão bem protegido como ele pensa, em segundo lugar, que os números oficiais da dívida externa do Brasil ignorou as advertências”.

O quinto ponto do ministério é que a S&P está errada ao reclamar da baixa taxa de investimento do Brasil, pois o país embarcou em um ambicioso programa de investimentos de US$ 400 milhões. O FT destaca que o Brasil embarca com frequência em programas de investimento no valor de centenas de milhões de dólares, mas que nem todos eles se materializam . “O fato é que sua taxa de investimento está presa em 18% do PIB : não o suficiente.”

Tags: brasil, economia, financial, s&p, times

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