Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Economia

Fitch publica relatório de Abordagem de Classificação de bancos brasileiros

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A Fitch Ratings publicou Relatório Especial, no qual detalha a abordagem da agência para a classificação de títulos híbridos de bancos brasileiros. Este relatório explica como a Fitch classificará estes títulos e como eles são considerados em sua análise de adequação de capital de bancos.

“As mudanças recentemente adotadas nas exigências de capital de bancos brasileiros são robustas e, na opinião da Fitch, estão alinhadas aos padrões do Basileia III”, afirmou Alejandro Garcia, diretor sênior do grupo de instituições financeiras da Fitch na América Latina. “As novas regulamentações fortaleceram as definições sobre os diferentes níveis de capital, assim como os dispositivos que deverão estar contidos nos títulos híbridos para serem considerados capital regulatório”, completou o diretor.

Importantes alterações regulatórias foram implementadas em 2013 e estarão sujeitas a um período de adaptação ao longo dos próximos anos. A Fitch acredita que os bancos conseguirão absorver estas alterações, embora com alguns desafios a partir de 2015.

No caso dos títulos híbridos com maior capacidade de absorção de perdas que serão considerados Capital Nível 1 (AT1) pelas regras locais, o cenário-base da Fitch é de que estes títulos serão graduados a -4 graus do rating âncora, embora potencialmente a -5 se houver total liberdade para omitir cupons. A graduação dos títulos Nível 2 (T2) será mais diversa, de acordo com os diferentes dispositivos que estes títulos possam conter, mas provavelmente ficará entre -1 e -4 do rating âncora. A Fitch considera que os novos títulos T2 sejam relativamente mais arriscados que o legado de títulos T2.

A graduação aplicada aos títulos híbridos emitidos por bancos grau especulativo poderá ser mais comprimida em comparação com a de bancos grau de investimento. A abordagem de graduação de títulos híbridos da Fitch é aditiva tanto à severidade de perda, como ao seu risco de falha no desempenho.

O Rating de Viabilidade (RV) de um banco, que avalia a sua intrínseca qualidade de crédito, será o âncora usual, a partir do qual os títulos híbridos serão classificados. Entretanto, em determinadas circunstâncias, o âncora poderá ser outro. No caso de títulos híbridos emitidos por subsidiárias estratégicas de bancos estrangeiros com ratings altos e de títulos T2 emitidos por bancos públicos importantes para o sistema, a Fitch provavelmente usará como âncora o IDR (Issuer Default Rating - Rating de Probabilidade de Inadimplência do Emissor) suportado do banco. A graduação desses títulos também poderá ser menor, uma vez que o suporte externo poderá diminuir ou até mesmo eliminar o risco de falha no desempenho da emissão.

No caso de híbridos AT1, o conteúdo de capital pela abordagem da Fitch será provavelmente de 50%, embora possa atingir até 100% se o gatilho de conversão/baixa for significativamente mais alto do que o mínimo regulatório de 5,125%. Os títulos T2 provavelmente não receberão crédito de conteúdo de capital, a menos que sejam perpétuos, inteiramente discricionários para cancelar cupons, ou contenham um dispositivo de baixa ou conversão com gatilho alto de absorção de perdas. A Fitch poderá atribuir mais conteúdo de capital a híbridos subscritos por investidores afiliados, como um controlador ou o soberano, em comparação com o crédito de conteúdo de capital de uma emissão equivalente subscrita por investidores não afiliados.

Tags: agência, brasil, classificação, economia, Risco

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