Jornal do Brasil

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2014

Economia

NYT: Paul Krugman critica 'timidez' dos formuladores de políticas econômicas

Para o economista, mundo se acostumou com "terríveis condições econômicas"

Jornal do Brasil

Artigo do prêmio Nobel de economia Paul Krugman, publicado no The New York Times no último sábado (22), intitulado "A Armadilha da Timidez", aponta que os formuladores de políticas têm tido boas ideias para lidar com as condições econômicas dos países, mas, como na prática são aplicadas apenas pela metade, acabam "matando toda a esperança". O economista lembra que não parece haver qualquer sinal de crise econômica maior no momento e que a Espanha, por exemplo, parece estar firme em um crescimento pelo menos duas vezes mais rápido neste ano, como previsto anteriormente. 

Infelizmente, no entanto, isso significa um crescimento de 1%, contra 0,5%, em uma economia profundamente deprimida, com 55% de desemprego entre os jovens, reforça Krugman. O fato de isso ser considerado uma notícia boa, acredita, demonstra o quanto as pessoas se acostumaram com "terríveis condições econômicas", já que se trata de um resultado pior do que qualquer um poderia imaginar poucos anos atrás, mas já visto como normal. 

Krugman argumenta que muitas razões teriam gerado essa nova perspectiva, mas que ele têm destacado a armadilha da timidez, que seria uma tendência consistente dos formuladores de políticas, que têm as "ideias certas" em princípio, para partir para meias medidas na prática, e a forma como essa timidez acaba frustrando, política e até economicamente. 

"Se você tem acompanhado os debates econômicos nos últimos anos, você sabe que América e Europa têm poderosos caucus do sofrimento - grupos com influência que se opõem ferozmente a qualquer política que possa colocar os desempregados de volta ao trabalho. Há diferenças importantes entre o caucus do sofrimento da América e da Europa, mas ambos agora têm registros verdadeiramente impressionantes de estarem sempre errados, nunca em dúvida", alerta o economista. 

Além disso, continua, os Estados Unidos ainda contam com uma facção tanto em Wall Street como no Congresso, que têm passado cinco anos ou mais fazendo alarmes sombrios acerca da subida da inflação e das taxas de juros. Enquanto isso, na Europa, quatro anos se passaram desde que o Continente começou a lidar com ásperos programas de austeridade. A austeridade, acreditava-se, geraria confiança, mas esta nunca apareceu, enquanto os preços econômicos e sociais das medidas têm sido imensos, acredita Krugman. 

"Então, qual tem sido a resposta dos mocinhos? Pois há mocinhos por aí, pessoas que nunca compraram a ideia de que nada pode ou deveria ser feito com a massa desempregada. O coração da administração de Obama - ou, de qualquer maneira, seu modelo econômico - está no lugar certo. (...) Você pode perguntar porque os mocinhos têm sido tão tímidos e os vilões tão confiantes. Eu suspeito que a resposta tem muito a ver com interesses de classe. Mas isso seria assunto para outra coluna", conclui. 

Tags: crise, economia, krugman, Paul, timidez

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