Jornal do Brasil

Sábado, 21 de Abril de 2018 Fundado em 1891

Economia

Brasil poderá ser avalista de dívida da Argentina

Garantia seria dada para dívida com fundos dos EUA

Jornal do Brasil

O Brasil poderá dar aval a uma dívida da Argentina referente a bônus que deixaram de ser pagos em 2005 a fundos de investimentos dos Estados Unidos. Em troca, a Argentina acabaria com alguns entraves no comércio bilateral retirando barreiras para as exportações brasileiras, principalmente em relação ao setor automotivo. A informação foi publicada no Correio Braziliense nesta sábado (15) afirmando que o acordo teria sido firmado pelo ministro interino do Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior, Mauro Borges, e pelo assessor especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia.

A matéria, assinada pelo repórter Rosana Hessel, o aval do governo brasileiro deverá ser protocolado junto à Corte de Nova York, onde está tramitando o processo. A presidente Dilma Rousseff, segundo a notícia, estava indecisa em dar a garantia pelo fato do Banco Central ser contra a medida, mas o Ministério da Fazenda, principalmente o secretário do Tesouro, Arno Augustin, é totalmente a favor. A Argentina, segundo o jornal, deve US$ 2 bilhões aos fundos de investimentos e cerca de US$ 4 bilhões ao Clube de Paris.

A decisão brasileira, caso se concretize, poderá pesar sobre a nota de classificação de risco do país pelas agências internacionais. Desde 2005, segundo a matéria, a Argentina não tem crédito do sistema financeiro internacional e até mesmo do Fundo Monetário Internacional (FMI). Caso o país queira levantar recursos com os organismos bilaterais terá que passar por um forte ajuste fiscal. De acordo com analistas, as reservas argentinas poderão cair para cerca de US$ 16 bilhões, o que mal daria para pagar sua dívida interna. Atualmente as reservas estão em US$ 28 bilhões.

A operação pode ser vista com lupa pela equipe da Standard and Poor’s que está no Brasil analisando as contas do governo para definir a classificação de risco do país. A agência foi a primeira a mudar a perspectiva da nota brasileira passando de estável para negativa em junho deste ano.



Tags: crédito, financeiro, internacional, mesmo, sistema

Compartilhe: