Jornal do Brasil

Quinta-feira, 28 de Agosto de 2014

Economia

Déficit na Argentina é agravado por exportações bilaterais com o Brasil

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De acordo com a consultoria Abeceb, que apresenta números baseados em dados oficiais do Brasil referentes ao mês de fevereiro, a forte contração do comércio entre o país e a Argentina aprofundou o déficit no mercado argentino. As informações foram divulgadas nesta sexta-feira (7/3) na editoria de Economia do jornal La Nación, na reportagem "Cresceu fortemente o déficit comercial com o Brasil". Segundo o jornal, uma avaliação do estudo da consultoria adverte para as exportações bilaterais, um dos itens que seguem mais de perto o governo de Cristina Kirchner. 

Pelo estudo, chegaram a 1094 milhões dólares as exportações, uma queda de 23,4% em relação a fevereiro de 2013 e estável em relação a janeiro. O declínio é resultado de menores vendas de gás, trigo, gasolina, autopeças e veículos. A matéria cita que em janeiro as exportações de automóveis caíram 20% em comparação com o mesmo período do ano passado. E afirma que a queda na demanda da Argentina, no entanto, não parece ser parte de uma situação estrutural da economia brasileira, como os veículos importados em fevereiro que totalizaram 561 milhões de dólares, quase 15% a mais do que os 489000 mil dólares para o mesmo período no ano passado.

O comércio entre os dois países caiu 16,9%, não só para as exportações, mas também por uma contração de 11,8% nas importações, pelas análises do La Nación. O resultado aponta que em janeiro e fevereiro o saldo para a Argentina apresentou um défice de 297 milhões de dólares. Em 2013, no entanto, houve um superávit de 16 milhões de dólares. Em fevereiro, o comércio total foi de 2.259 milhões de dólares, o segundo entre os mais baixos em quase quatro anos, com exceção de janeiro. Para encontrar um valor menor, basta retornar a fevereiro de 2010, quando o câmbio era de 2.157 milhões de dólares.

No segundo mês do ano, enquanto o vermelho comercial com o Brasil foi de 71 milhões de dólares, muito aquém dos 139 milhões, foi registrado mais que em fevereiro do ano passado. Já na Argentina, o mês de fevereiro ficou em terceiro lugar entre os principais fornecedores do Brasil, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, mas à frente da Holanda. As exportações representaram 6% do total das importações para o país vizinho em 2014.

No lado das importações que colocam freios sobre o governo para o produto de renda foi observado, como em fevereiro, o número mais baixo registrado desde janeiro de 2010. A queda, de acordo com Abeceb, é devida à menor compra de óleos combustíveis, semi-ferro ou aço, calçados, óxido de alumínio, automóveis de passageiros, de minério de ferro, instrumentos de medição, bombas e compressores, autopeças e polímeros plásticos.

Durante fevereiro, a Argentina foi o terceiro comprador de bens originários do Brasil, atrás da China e dos Estados Unidos. O Brasil enfrenta um processo de reorganização da sua economia. No mês passado, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou uma redução nos gastos públicos e uma nova meta de superávit primário. Junto com eles veio uma nova previsão oficial de crescimento do PIB este ano, uma queda de 3,8% a 2,5%.

Tags: Câmbio, comércio, déficit, importações, kirchner

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