Jornal do Brasil

Sexta-feira, 1 de Agosto de 2014

Economia

Clarín avalia mercado argentino com novos preços e salários antigos

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Matéria do jornalista e economista argentino Daniel Fernández Canedo no jornal Clarin, nesta sexta-feira (7/3), afirma que a Argentina passa por um poder de compra num contexto em que os salários são antigos e os preços aumentam e desvalorizam o peso. Segundo ele, ao contrário de anos anteriores, 2014 começou com esta realidade: a ascensão do dólar oficial em 60% nos últimos 12 meses superando quase tudo e, principalmente, os salários.

Canedo diz que neste contexto, entende-se a oferta em torno do setor educacional, em que a proposta de 22% feita pelo governo é inaceitável pelos professores e deve levar o salário mínimo da categoria para 5.500 dólares a partir da corrente de que 3.416 dólares seria um salto percentual relevante ( 61% ) e além do que a Casa Rosa está disposta a aceitar. Essa diferença de preço entre o novo e o velho atravessa os dias de salário antigo para uma economia em baixa, em que a tendência de declínio na atividade econômica se torna mais sólida.

As vendas de automóveis, motocicletas, eletroeletrônicos e turismo brilharam com o valor do dólar e as taxas de financiamento perto de zero, mas agora estão em processo decrescente. Na indústria automotiva, a desvalorização, o imposto sobre os veículos mais caros e a queda do mercado brasileiro escureceu as perspectivas e os aumentos diluídos devem ser aplicados contra a nova realidade de alta nos custos. A mudança nas condições de compra com cartão de crédito, que foi antes dos 18 meses, que era sem juros, agora tem inclusão de taxas, o que representa uma forte sobrecarga que atingiu as vendas de aparelhos pela primeira vez por um longo tempo.

O governo desvalorizou os produtos importados de maior valor, desencorajando a aquisição, além de apoiar os salários medidos em dólares. Mas, além do impacto da desvalorização, será possível observar os efeitos nos preços como já está acontecendo nos dias atuais. Entre os economistas, há várias estimativas sobre o efeito inflacionário em fevereiro.

O estudo de Miguel Bein estima que o índice será próximo de 3% e os de Carlos Melconian e Rodolfo Santangelo, acima de 4%. Uma das grandes questões é que o número irá mostrar o INDEC após janeiro, que reconhece um aumento no custo a partir da elevação de 3,7%. Se repetir esse número para fevereiro, ou mesmo se o aumento fosse maior, o problema seria para os dois primeiros meses do ano, pois ocorreria a corrosão da alta anunciada para pensões (11,2% a ser imputadas ao crédito deste mês) e também teria um impacto sobre os 22% proposto aos professores.

Como os sindicalistas procuram fechar acordos curtos com a incerteza de que os preços irão acabar de uma vez com a desvalorização, o governo está tentando obter a seu favor os efeitos da desvalorização (cobrar mais para a retenção e impostos, por exemplo) e para preparar o terreno esperando por um aumento das taxas de gás e de eletricidade, que pode chegar depois de abril. Enquanto isso, em fevereiro deixou um grande equilíbrio no câmbio com o dólar oficial abaixo de US$ 8 para todo o período e, em paralelo, o Banco Central reduziu significativamente o declínio das reservas.

Segundo as análises de Canedo, se o INDEC reconhece a inflação em 3% ou 4%, vai encurtar o tempo de funcionários que o governo pretende manter até o final de abril. Para esse mês, começará a chegar com intensidade os dólares de soja e que tornaria menos necessária a movimentação da moeda no país. No segundo trimestre, calcula o consultor do Empira, a agricultura contribuirá com mais de $ 10 milhões e o BCRA pode subir para mais de $ 2,5 milhões. Isso evitaria o movimento do dólar, mas o desafio seria o de evitar uma moeda ligeiramente atrasada que pode voltar à realidade.

Tags: Desvalorização, economista, educacional, preços, setor

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