Jornal do Brasil

Terça-feira, 23 de Setembro de 2014

Economia

Segundo mês consecutivo que maiores economias têm preços ao consumidor reduzidos

Jornal do Brasil

O aumento dos preços ao consumidor nas maiores economias do mundo desacelerou nos dois últimos meses, impulsionando com isso as taxas de inflação para baixo em várias grandes economias em desenvolvimento. A avaliação é do Wall Street Journal, na sua edição desta quarta-feira (5/3). Segundo o veículo, o baixo nível de inflação deve preocupar alguns banqueiros centrais das economias desenvolvidas, que estão testemunhando um período prolongado de aumentos gradativos de preços. Na zona euro, a taxa anual de inflação é de 0,8%, bem abaixo da meta de pouco abaixo de 2,0% do Banco Central Europeu.

O Conselho do BCE se reúne nesta quinta-feira (6/3) para avaliar medidas de enfrentamento da pressão no sentido de fornecer estímulos para impulsionar o crescimento e garantir o retorno da inflação à sua meta para os próximos anos. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico disse na terça (4/3) que a taxa de inflação anual em seus 34 membros de países desenvolvidos subiu para 1,7% de 1,6% em dezembro, enquanto no grupo das 20 principais nações industrializadas e em desenvolvimento caiu para 2,6% de 2,9%. Mais fracos aumentos globais de preços foram o resultado de quedas na taxa anual de inflação na Índia, Indonésia, Rússia e Brasil. A taxa anual de inflação foi constante na China e na África do Sul.

Quando a inflação está baixa, as empresas, as famílias e até mesmo os governos têm mais dificuldade em cortar as suas dívida, um problema para um número de nações altamente endividadas da zona do euro. As empresas podem ver as suas margens de lucros espremidas, diminuindo a vontade de investir e contratar trabalhadores. Quando os preços começam a cair, os consumidores podem adiar as suas compras na expectativa deles ficarem ainda melhores no futuro. Isso pode, por sua vez, enfraquecer a atividade econômica e criar novas pressões deflacionárias. Na sequência das dificuldades, o Japão experimentou sair do seu longo período de deflação, os bancos centrais de outros países estão ansiosos para evitar uma luta similar.

Valores distintos divulgados pela agência de estatísticas da União Europeia na terça-feira mostraram que os preços de mercadorias saídas das fábricas da zona do euro caíram à taxa anual mais rapidamente, desde o final de 2009 até janeiro deste ano, acrescentando a uma preocupação de que a área da moeda pode enfrentar um período de baixa inflação, podendo, assim, prejudicar a sua recuperação.

O declínio dos preços sugere que a taxa de inflação será improvável nos próximos meses. A Espanha, na segunda-feira passada (3/3), recebeu um alerta da chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI) Christine Lagarde, de que o período será prolongado de baixa inflação da zona do euro, o que pode descarrilar a frágil recuperação econômica do país. E ressaltou ainda que a ameaça deve ser combatida com estímulo monetário adicional. "São necessárias ainda mais as políticas acomodatícias e das ações específicas para tratar a inflação abaixo da meta e atingir um crescimento sustentável e do emprego", disse Lagarde.

Os comentários da diretora do FMI aumentou a pressão sobre o Conselho do BCE a tomar medidas para impulsionar o crescimento, de acordo com a reportagem do Wall Street. O Ministério do Trabalho da Espanha, nesta terça-feira (4/3), anunciou que o número de pessoas que usaram a declaração de auxílio-desemprego foi o menor desde fevereiro de 1949. "As pressões inflacionárias estão enfraquecendo lentamente na zona do euro, mas não caíram o suficiente para provocar um corte da taxa", disse Bill Adams, economista internacional sênior da PNC Bank, durante a reunião do Conselho do BCE.

O Wall Street avalia que o declínio tem sido, provavelmente, em grande parte devido a fornecedores de energia, que cortaram os seus preços em 1,4% a partir de dezembro e 3,8% a partir de janeiro de 2013. Mas os aumentos nos preços dos bens de consumo duráveis foram modestos em 0,4%, enquanto os preços dos bens de consumo não duráveis cairam em 0,1%, uma indicação de que a demanda anêmica é também uma fonte de pressões inflacionárias. Com a taxa de desemprego próxima a um recorde, os salários subindo lentamente, e crédito de bancos em pequena quantidade, as empresas voltadas ao consumidor não devem apostar num aumento de preços, mesmo quando o custo dos bens adquiridos está aumentando. A zona do euro não é a única parte da Europa que enfrenta o problema da inflação muito baixa. Na Suécia, os preços caíram 0,2% em relação ao ano de janeiro. Taxa de inflação da República Checa situou-se em 0,2%, na Polônia foi de 0,6%.

Tags: banqueiros, centrais, economias, euro, inflação, taxas, Zona

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.