Jornal do Brasil

Terça-feira, 2 de Setembro de 2014

Economia

Wall Street Journal: números da economia brasileira preocupam

Jornal do Brasil

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou na quinta-feira (27/2) os números da economia brasileira, que apontam para uma menor expansão em São Paulo no quarto trimestre. A economia cresceu 0,7% em comparação ao terceiro trimestre, e 1,9% em comparação com o quarto trimestre de 2012. O The Wall Street Journal publica nesta sexta-feira (28), uma matéria na sua editoria Mundo, considerando que os dados do IBGE podem representar um sinal de desaceleração da economia de um dos maiores mercados emergentes.    

Para todo o ano, a maior economia da América Latina expandiu um modesto 2,3%, longe da taxa de crescimento de 7,5% relatada para 2010, quando o consumo doméstico registrou crescimento e houve um apetite da China por commodities como soja e minério de ferro, o que deu um impulso no país, destaca o Wall Street. "Se não houvesse problemas na economia global, teríamos crescido mais rapidamente, beneficiando o mercado interno e externo", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

A matéria informa que, em termos anualizados, a economia cresceu 2,75% no quarto trimestre, de acordo com o BES Investimento. O governo não divulga os dados do produto interno bruto em termos anualizados. A desceleração do crescimento, avalia o Wall Street, surge num momento em que outros grandes mercados emergentes como a China e a Índia crescem a um ritmo mais rápido. Parte do problema é que as autoridades brasileiras têm lutado para conter a inflação, levando o banco central a elevar os juros em meio a difíceis condições de mercado no exterior.

O Wall Street lembra que  na quarta-feira (26), o banco central do Brasil aumentou a sua taxa base para 10,75%, um dos maiores aumentos entre as principais economias do mundo, o que é provável que dobre o crescimento. Os economistas agora esperam que a economia do Brasil cresça apenas 1,5% este ano. No plano interno, o consumo, o principal motor de crescimento, está diminuindo o ritmo, enquanto a agricultura e os investimentos continuam num embate, apesar dos enormes incentivos governamentais que colocaram alguma pressão sobre o erário público.

De acordo com o jornal, o desempenho econômico lento não parece ter afetado a popularidade da presidente Dilma Rousseff, pelo que garante os especialistas. Ela tem uma vantagem confortável nas pesquisas antes da eleição presidencial de outubro. O desemprego permanece baixo, o salário mínimo aumentou significativamente e uma série de programas relacionados ao bem estar da população expandiram. Os protestos que inundaram as ruas do país desde junho do ano passado são mais relacionados a qualidade de vida, em vez de questões econômicas.

A economia brasileira cresceu no segundo trimestre, as empresas estavam entusiasmadas com a possibilidade de ter um salto a partir da escassa expansão de 1% registrada em 2012. No entanto, o aumento do consumo não se concretizou e a economia brasileira passou longe das espectativas de crescimento. A economia encolheu no terceiro trimestre, antes de encenar uma modesta recuperação no último trimestre.

O setor industrial tem sido um dos principais contribuintes para essas oscilações. Depois de retrair em 2012, os proprietários de fábrica aumentaram a produção no início de 2013, à espera de uma recuperação. Como os consumidores não corresponderam, os estoques ficaram acumulados e as indústrias foram afetadas, apesar de extensos incentivos do governo, inclusive fiscais. Esse quadro resultou em uma queda na produção durante o segundo semestre de 2013.

O investimento também é fraco. Chegou ao equivalente a 18,4% do produto interno bruto em 2013, aumentou em 2012, mas ainda está muito abaixo do nível que os economistas acreditam que seja necessário para desbloquear um crescimento mais rápido. Alguns investidores culpam a interferência do governo em algumas partes da economia para afastar projetos de longo prazo. O governo, por sua vez, lançou um enorme programa para tentar reformular a infraestrutura do país, mas isso vai levar tempo para acontecer.

A economia enfrenta outros ventos contrários. Mesmo com o crescimento fraco, há baixo desemprego e os gastos públicos abundantes, o que significa que a inflação continuará muito acima da meta do governo de 4,5%. Algumas empresas vêem isso como uma oportunidade para expandir, apostando em oportunidades de longo prazo. A Companhia Hering, uma empresa têxtil, com faturamento anual de cerca de 858 mil dólares, está planejando expandir os seus investimentos este ano para cerca de 100 milhões de reais, um aumento de 70 milhões de reais no ano passado, de acordo com o presidente-executivo da empresa.

Tags: economia, fraco, industrial, pesquisa, setor

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