Jornal do Brasil

Quinta-feira, 2 de Outubro de 2014

Economia

Importadores de 50 países aproveitam o carnaval do Rio para fazer negócios

Agência Brasil

Importadores de 50 países estarão no Brasil durante o carnaval para ver os desfiles das escolas de samba, mas a ideia não é apenas apreciar o espetáculo, mas que o comprador estrangeiro projete a imagem do Brasil no exterior e, também, feche negócios. São 314 compradores  e formadores de opinião de 50 países que participam este ano do Projeto Carnaval da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), do governo federal, que tem o objetivo de estreitar relações entre importadores estrangeiros e empresas do Brasil para gerar negócios. O  Projeto Carnaval 2014 envolve 45 empresas nacionais e 27 entidades setoriais.

Como parte da agenda de encontros, os participantes acompanharão os desfiles das escolas de samba no Sambódromo do Rio de Janeiro, nos próximos dias 2 e 3 de março, e no sábado das campeãs (8), em um ambiente preparado pela Apex-Brasil como uma casa tipicamente brasileira. Os alimentos servidos aos convidados divulgam também produtos nacionais.

O coordenador do Projeto Carnaval da Apex-Brasil, Diogo  Akitaya, disse hoje (28) à Agência Brasil que a expectativa, nesta edição, é que possam ser gerados US$ 341 milhões em negócios durante os próximos 12 meses. Akitaya destacou entre os setores mais demandados pelos compradores estrangeiros os de alimentos e bebidas, equipamentos eletroeletrônicos,  equipamentos médico-hospitalares e odontológicos, cosméticos,  máquinas industriais, economia criativa, moda e confecções, além de tecnologia da informação (TI), com destaque para software (programas de computador).

“O Brasil é conhecido pela questão da alegria, das festas como o carnaval. E a gente quer alinhar essa característica positiva do brasileiro com negócios. Por isso, a gente pegou a parte das escolas de samba e de todo o grupo do carnaval do Rio, que são um excelente exemplo de organização durante um ano inteiro para que isso ocorra. O empresário internacional que vem para cá  vai ver essa característica toda do carnaval e vai alinhar ao esforço que o brasileiro pode fazer”.

Akitaya salientou que o período do carnaval é uma grande oportunidade para que os importadores estrangeiros conheçam de maneira mais profunda seus parceiros brasileiros, tudo relacionado ao negócio, para que o projeto gere isso. "E o carnaval é o ponto mais descontraído de tudo isso e permite que ele conheça a imagem do Brasil, que é fazer essa festa linda para o mundo”. A ideia é também que o comprador estrangeiro projete a imagem do Brasil no exterior.

Para Evandro Weber, da empresa Weber Haus, parceiro da Apex-Brasil há quatro anos em feiras internacionais, o Projeto Carnaval é uma oportunidade de ampliar as exportações da cachaça que fabrica no Rio Grande do Sul, entre outros produtos. Fundada em 1948, a Weber Haus produz desde a cana orgânica até o produto final para exportação. “Sempre trabalhamos com o segmento do consumidor final, incluindo lojas delicatessen, hotéis e restaurantes. No exterior, a gente está começando a entrar em redes de supermercados”, disse.

O trabalho da empresa é focado  na qualidade do produto com o diferencial da embalagem. “Se o produto for bom, eles [consumidores] voltam a comprar. Por isso, tem que ter  essa sintonia de beleza da embalagem com qualidade do produto final”. Segundo o empresário, as exportações representaram 35% do faturamento da empresa em 2013. A meta, até 2016, é que as vendas ao exterior alcancem 50% da receita. A Weber Haus cresceu 52% entre 2012 e 2013. Este ano, a perspectiva é aumento em torno de 30%.

A companhia representará o setor de cachaça para o mundo no projeto Seleção Brasileira de Alimentos e Bebidas, que a Apex-Brasil promoverá este ano no mercado internacional até junho. “Eu quero levantar a bandeira da cachaça brasileira”. O importador Valdir Aragoso participa do Projeto Carnaval deste ano e introduziu a cachaça Weber Haus em 17 estados norte-americanos, informou.

O Projeto Carnaval  é efetuado pela Apex-Brasil desde 2009 e acumula um total de 1,5 mil convidados, gerando negócios para  mais de 35 setores econômicos do país.   Ele integra o Programa de Marketing e Relacionamento, que trabalha com vários eventos esportivos e culturais dentro do Brasil e em outros países. “A plataforma é direcionada para empresas  que já apresentam  uma intimidade com a atividade exportadora”, disse Akitaya. O objetivo é estreitar os laços com os importadores para que eles se fidelizem às empresas nacionais em ambientes que são propícios a negócios.

A  exemplo do que fez durante a Copa das Confederações, no ano passado, a Apex-Brasil já está trabalhando  para  implantar esse modelo de relacionamento e negócios entre empresas brasileiras e importadores estrangeiros  na Copa do Mundo que começa em junho no Brasil. A agência recepcionará os convidados das empresas brasileiras em ambientes de hospitalidade que serão construídos próximo aos estádios de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Belo Horizonte, de Brasília e de Fortaleza, que receberão, em média, dois a três jogos por sede. Akitaya acredita que, com isso, “você eleva, inclusive, a questão do profissionalismo do empresariado brasileiro e da indústria brasileira”.

Cento e setenta empresas brasileiras participarão do Projeto Copa. Ainda não está fechado, porém, o número de compradores que virão ao Brasil e poderão assistir aos jogos, além de estreitar laços de negócios e fazer operações de comércio exterior.

Tags: desfiles, economia, empresariado, negociações, Rio

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