Jornal do Brasil

Terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Economia

'El País': Petrobras apresenta balanço e projeções para os próximos anos

Jornal do Brasil

O jornal espanhol El País repercutiu o anúncio do plano de investimento da Petrobras, divulgado esta semana, e destacou que a estatal tem passado por dificuldades ultimamente, após perder 16% do seu valor de mercado no ano passado. Ao divulgar o seu balanço financeiro de 2013, que registrou receita de 304.890 milhões de reais, 8% a mais que em 2012, e um lucro de 23,500 bilhões de reais, 11% a mais que no ano anterior, a empresa também anunciou seu plano de investimentos para o período de 2014-2018.

A Petrobras, ressalta o El País, terá 220.600 milhões de dólares para investir, principalmente em exploração e produção de matérias-primas (70% do total de recursos), bem como refino e operações internacionais. Os investimentos serão menores do que era esperado no ano passado (o plano de 2013/2017), porém mais perto da realidade do grupo, que trabalha com um programa de venda de ativos e reduzindo os custos internos para reduzir o seu endividamento.

"Nós fizemos o maior investimento de nossa história no ano passado, 24% a mais que em 2012, incluindo bônus de assinatura (Oilfield) Sagitário", disse a presidente da empresa estatal, Graça Foster. A dívida líquida também cresceu em 2013, 50% em relação ao ano anterior e chegou a 221,500 bilhões de reais (94 mil milhões de dólares).

A reportagem do El País afirma que as dificuldades da empresa em encontrar um caminho causaram reflexos nas suas ações, que eram negociadas por cerca de R$ 30 em três anos e despencaram esta semana para R$ 13. Para sair da situação difícil, a empresa está baseada em aumentar os ganhos de eficiência de produção em operação e ajuste de novos combustíveis. O jornal avalia que a questão do realinhamento é bem delicada, porque afeta o projeto de controle da inflação, que é um compromisso por parte do governo, mesmo a nível mundial. Ao mesmo tempo, a presidente Dilma Rousseff não pode deixar que um de seus principais ativos que goza de enorme prestígio, tenha a sua imagem prejudicada no mercado.

O problema é combinar a urgência do governo com os donos do dinheiro. Após a divulgação do balanço, as ações da empresa caíram a níveis mais baixos desde 2005. Com uma produção diária de 2,3 milhões de barris de petróleo e gás natural, a estatal mantém a meta de dobrar a produção até 2020 e também mostrar capacidade de superar a adversidade. O aumento da produção de petróleo este ano é uma questão de tempo. É aguardado, por exemplo, a entrada da produção da plataforma P-58, que está em fase final de instalação no complexo chamado Parque das Baleias, que fica a 85 km da costa do Estado do Espírito Santo, o que pode aumentar a produção do pré-sal na Bacia de Campos.

Duas outras plataformas devem começar a operar no primeiro semestre de 2014 nas camadas de pós-sal da Bacia de Campos: a P-62, no módulo 4 do campo de Roncador, e a P-61. Foster disse que o país será auto-suficiente na área de petróleo a partir de 2020, acabando com as importações. Em 2014, a marca da empresa será alvo de um crescimento na produção de derivados de 1%, com um papel especial de diesel.

O aumento no preço da gasolina e do diesel é uma alternativa para recuperar um pouco da credibilidade. No ano passado, houve três ajustes do diesel, cujos preços subiram 20%, e dois a gasolina (11%), o que garantiu um impulso. "Mas a desvalorização (do real) foi bastante significativo e mais uma vez levou a não convergência de preços (com o mercado internacional)", disse Foster durante a apresentação do balanço da estatal.

Leonardo Maugeri, presidente da petrolífera italiana Eni e pesquisador da Universidade de Harvard, disse que - "este é um fator importante que precisa ser negociado com o governo. Se o Brasil quer uma empresa sólida, precisa baixar o preço em linha com o mercado". Ele destacou também que uma decisão como essa poderia tranquilizar o mercado, mostrando que o país está ciente dos problemas macroeconômicos. 

O El País avalia que essa medida isolada, porém, não seria suficiente para garantir a recuperação da empresa. A estatal também precisa ser mais agressiva no seu plano de venda de ativos. De acordo com Cesar Guzzetti, especialista do Gaffney Cline, a empresa conseguiu garantir entre 10% e 15% do que necessita com os ativos vendidos até agora.

Enquanto isso, fazer as pazes com os investidores representa uma tarefa difícil. Um relatório enviado para os clientes do HSBC resume bem essa percepção. "Acreditamos que a empresa tem grandes ativos em sua carteira, impressionante potencial de crescimento, mas a intervenção do governo com seus efeitos negativos pode levar a uma estrada longa e rochosa que muitos investidores querem evitar", destaca na sua reportagem o El País.

Segundo o jornal espanhol, a estatal tem se esforçado para mostrar resultados concretos, tais como o registro de extração de 417 mil barris por dia nos poços da camada pré-sal nas bacias de Campos e Santos, como foi divulgado na segunda-feira (24). Na sua apresentação nesta quarta-feira, o chefe da Petrobras, José Formigli Filho, observou que em 2017 o percentual de produção do pré-sal no Brasil deve atingir 42%, e em 2020 pode chegar a 50%.

Tags: ações, bacias, combustíveis, investidores, Petrobras, pré-sal

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