Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Economia

Financial Times destaca que Dilma está lutando para reconquistar investidores

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As mudanças na economia brasileira são observadas criteriosamente no mercado externo. O jornal Financial Times (FT) publica nesta quarta-feira (26/2) que o governo do Brasil anunciou, na semana passada, cortes de 19 bilhões de dólares no orçamento destinado a reforçar a credibilidade dos investidores.

O FT avalia que durante os anos de administração do ex-presidente Lula, o país presenciou um crescimento de 4% ao ano, e em 2010 acumulou um "impressionante" 7%. NO entanto, agora a economia está à beira de uma recessão técnica. O país entrou para o grupo dos países chamados "Fragile Five", considerados vulneráveis no caso de o Federal Reserve dos Estados Unidos aumentar as taxas de juros.    

A matéria do FT traça o cenário interno do Brasil, explicando que o país viveu um boom de consumo e baixo investimento. A partir daí, aconteceu os "gargalos" na oferta, o que também travou o crescimento. Externamente, os preços das commodities abriram um déficit em conta corrente preocupante. Equivalente a 4% do produto interno bruto, que é coberto por fluxos de investimento estrangeiro.

Segundo o FT, uma série de isenções fiscais e outras medidas visando a oferta e projetadas para aumentar a produção industrial acabou por ampliar o déficit orçamentário. A presidente Dilma Rousseff incentivou o banco central a cortar as taxas de juros, o que estimulou a economia, mas também o aumento da inflação. Além disso, as taxas mais baixas enfraqueceram a moeda, que foi muito necessário, mas gerou um outro impulso inflacionário. "Ainda assim, tudo está longe de estar perdido, e isso não é verdade apenas sobre as chances da seleção brasileira de futebol na Copa do Mundo. Quase todos, no governo e fora dele, concordam que a economia precisa mudar. A verdadeira questão é como?", diz o texto do FT.

Uma limitação é a eleição presidencial em outubro, de acordo com a análise do Financial Times. O texto destaca que a popularidade de Dilma Rousseff se recuperou após os protestos de rua no ano passado e ela continua a ser a favorita nas pesquisas. No entanto, a maioria acredita que Dilma pode adiar as decisões difíceis. Poucos acreditam que o Brasil irá conseguir os cortes no orçamento, debatido como o custo dos subsídios de energia que subiram por um longo período de seca e que drenou as usinas hidrelétricas.

Uma outra maneira de avançar com o programa de infraestrutura do Brasil, pelas análises do Financial Times, é impulsionar o crescimento, mas alguns projetos atuais oferecem aos investidores condições atraentes, porém muitos outros estão definhando, como o caso do principal aeroporto de São Paulo, que até agora só apresentou um novo parque de estacionamento. O Financial Times afirma que a morosidade do Congresso nas decisões prejudica o avanço do país e fica mais difícil a presidente reconquistar a confiança dos investidores. "Pelo menos, o banco central tem mantido a rédea nos aumentos das taxas de juros para conter a inflação, enquanto Dilma tem comercializado no país, enfatizando seu compromisso com a inflação baixa e probidade fiscal", avalia.

Tags: bilhões, cortes, credibilidade, credores, economia, mudanças, rousseff

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