Jornal do Brasil

Quarta-feira, 30 de Julho de 2014

Economia

'German Marshall Fund': Cautelosamente, Brasil olha para o exterior

Jornal do Brasil

O blog German Marshall Fund publica nesta sexta-feira (21/2) um artigo de Tim Ridout, um parceiro de Atlântico Wider do Fundo Marshall Alemão dos Estados Unidos (GMF) para questões políticas e econômicas na América Latina, citando o esforço do governo brasileiro para melhorar a qualidade dos seus serviços públicos e expandir a sua economia, após um ano de muitos protestos no país. 

Ridout comentou que a visita de Dilma Rousseff a Davos, a primeira em sua presidência de três anos, aconteceu no momento em que a União Europeia (UE) e o Mercosul se preparam para as propostas de taxas nas negociações de livre comércio recém criado. Cita que Rousseff está indo a Bruxelas na próxima segunda-feira (24/2) para uma reunião de cúpula com os líderes da UE, onde se espera discutir as negociações e assinar um pacto de transporte aéreo bilateral que vai aumentar o volume de passageiros entre Brasil e Europa.

O artigo diz que, após uma onda de crescimento econômico que atingiu seu pico em 2010, de 7,5%, a economia do país desacelerou para 2,7% em 2011 e de 1%, em 2012. A taxa de crescimento para 2013 deverá ser de cerca de 2,5%. Em parte, os números podem ser atribuídos à queda nos preços globais de commodities, mas também pelas políticas protecionistas do Brasil. Ele afirma que a economia brasileira não tem se mostrado ágil o suficiente para se adaptar às novas realidades globais. "Rousseff pode ter tido pouca escolha além de tranquilizar os líderes empresariais em Davos de que o Brasil tem o compromisso com a responsabilidade fiscal, abertura ao investimento, o combate à inflação e na manutenção de uma moeda flutuante", destaca o texto.

Pelas análises de Ridout, líderes políticos e empresariais no Brasil tinham assumido que o seu mercado interno é grande o suficiente para permitir um certo grau de protecionismo, mantendo o crescimento. Mas esse sentimento está mudando rapidamente. Porém, a preocupação com a exclusão das cadeias de valores globais, essa categoria no Brasil está fazendo as suas vozes serem ouvidas. Em novembro, Robson Andrade, presidente da Confederação Nacional do Brasil da Indústria (CNI), pediu um acordo de livre comércio com os Estados Unidos, o que é significativo devido a atritos históricos e disputas comerciais em curso entre os EUA e o Brasil. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), também revisou a sua postura de livre comércio, pedindo TLCs com a União Europeia e Estados Unidos. Apesar de algumas indústrias brasileiras - como os fabricantes de automóveis - continuarem a apoiar medidas protecionistas, o setor privado do Brasil está cada vez mais pressionado para adotar uma economia mais aberta.

O texto cita que estudiosos em economia, como Vera Thorstensen, também estão defendendo um sistema econômico mais aberto. Depois de simular os efeitos sobre o Brasil do Comércio Transatlântico e Parceria de Investimento (TIPT) entre os Estados Unidos e a União Europeia, Thorstensen disse que o Brasil é significativamente prejudicado com o acordo, argumentando que o país "não pode ficar fora das negociações dos mega-acordos". Como o investimento se desloca para longe do Brasil e produtos chineses baratos inundam o mercado, muitos brasileiros estão percebendo que é mais fácil incentivar o desenvolvimento através da criação de condições atrativas, que oferecem um retorno razoável para o investimento de risco, em vez de programas que passam pelos trâmites e decreto do governo. 

Ridout cita uma pesquisa divulgada em novembro de 2013, que aponta que dois terços dos brasileiros querem mudanças em seu governo. Custo Brasil não é nada novo, mas o que pode estar mudando é a determinação para enfrentá-lo. Vinte anos de estabilidade econômica e crescimento retirou milhões de brasileiros da pobreza, em parte graças a programas do governo, como o Bolsa Família , uma enorme iniciativa de bem-estar social, envolvendo transferências condicionais de dinheiro. No entanto, novas dinâmicas comerciais e globais de energia estão tornando mais difícil para o Brasil competir e crescer com seu modelo econômico atual. Acordos de livre comércio com a União Europeia e os Estados Unidos forneceriam maior acesso a enormes mercados, bem como um forte impulso para resolver alguns dos problemas estruturais do Brasil. O autor diz ainda que, se Dilma não mudar de rumo, ela enfrentará a resistência de dentro de seu partido e de setores protegidos ou ineficientes. Mas, como ela assiste o baixo crescimento do país e a inflação está a corroer os ganhos sociais, ela pode decidir que esse caminho realmente vale a pena.

Tags: Brasileiro, economia, esforço, Governo, melhorar

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