Jornal do Brasil

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2014

Economia

Investidores estrangeiros voltam ao Brasil

Ingresso de recursos no país supera as retiradas

Jornal do Brasil

As ameaças das agências de classificação de risco de rebaixar a nota do Brasil não impediram um retorno do capital estrangeiro ao país. Em fevereiro, segundo o Banco Central, o ingresso de recursos superou em US$ 318 milhões as saídas no acumulado até o dia 14. Os recursos estão voltando, segundo analistas, por conta da alta dos juros e com isso o fluxo do ano ficou positivo em cerca de US$ 2 bilhões, ao contrário do mesmo período do ano passado, quando os investidores retiraram do país US$ 4 bilhões.

A reversão da tendência de investimentos no Brasil leva em conta ainda a redução dos preços dos ativos que chegaram a um nível considerado pelo mercado bastante baixo e, portanto, bastante atrativo também. Esse pico foi verificado em janeiro, quando houve uma debandada dos estrangeiros. De acordo com o Banco Central, houve ingresso de US$ 1,72 bilhão pela conta financeira, ao contrário do ingresso verificado em janeiro que ficou em US$ 19 milhões.

O aumento do ingresso de recursos estrangeiros no país, além dos preços baixos dos ativos, leva em conta ainda o fato do Brasil ter sido o primeiro país a aumentar sua taxa de juros entre os emergentes que seriam afetados pela decisão do Banco Central dos EUA (FED) que vem retirando os estímulos à economia daquele país.

Esse retorno, no entanto, não significa que os investidores estrangeiros retornaram de vez ao mercado brasileiro. A volatilidade pode dar sinais de vida em breve. A ata do Comitê de Mercado Aberto do FED começaram a discutir a possibilidade de aumentar a taxa de juros básica, o que atrairia o capital novamente para os Estados Unidos. A possibilidade desse aumento tem como justificativa o índice de desemprego no país que atualmente está em 6,6%. O FED estaria disposto a começar a retomada do aumento dos juros quando esse índice chegasse a 6,5%, o que está muito próximo.

O FED deverá também continuar com a política de retirada dos estímulos à economia dos EUA com a diminuição, em torno de US$ 10 bilhões mensais, na recompra de títulos do mercado. Com essa medida, aproximadamente no meio do ano, os estímulos deverão ser retirados completamente. 

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