Jornal do Brasil

Quarta-feira, 23 de Julho de 2014

Economia

Carnaval terá menos vagas temporárias mas renda será maior

Vagas tem queda de 2,2% no setor turístico, mas trabalhadores terão salários maiores 

Jornal do BrasilCamila Funare*

O número de vagas temporárias no setor turístico para o carnaval deste ano terá uma redução de 2,2%, em comparação ao mesmo período do ano passado. A estimativa faz parte de uma pesquisa da Divisão de Economia da Confederação Nacional de bens, serviços e turismo (CNC), divulgada nesta terça-feira (18). O estudo aponta, contudo, que o salário dessas 10 mil vagas vai subir de acordo com a qualificação, faixa etária e região de atuação do profissional.

O Ministério do Turismo estima que 6,6 milhões de turistas venham para o Brasil entre os dias 28 de fevereiro e 4 de março, gerando uma arrecadação média de R$6,1 bilhões, superando os R$ 5,7 bilhões de 2013. O levantamento teve como base os estados preferidos pelos foliões: Rio de Janeiro, com uma arrecadação estimada pela Riotur em R$734 milhões, Bahia, Ceará, Pernambuco, Salvador e Recife.

Para o economista da CNC, Fabio Bentes, o aumento na arrecadação não significa que há um maior número de turistas, e sim que viajar para o país está mais caro. "Na verdade, o aumento real do faturamento do Carnaval equivale apenas a 2%. Os 10,2% de aumento no faturamento deste ano está relacionado aos 8,2% de inflação dos serviços turísticos, que tiveram uma alta no ano passado", afirmou.

Ainda de acordo com Bentes, a primeira área cortada do orçamento familiar é o considerado “supérfluo”, por isso, "pelo bem do setor de serviços", o ideal é que o dólar pare de oscilar. “O setor de serviços não está aquecido como em 2010. Quando há reajuste inflacionário, associado ao aumento dos preços, os gastos extras no turismo são os primeiros a serem cortados”, garantiu.

Copa contribui para que trabalhador temporário seja efetivado

Segundo o estudo da CNC, os serviços de hospedagem ( hotéis, pousadas e albergues) terão um aumento de 66,9% no seu quadro de vagas, com salário médio em torno de R$1.008 por profissional. Já o ramo da alimentação, que contabiliza refeições fora da hospedagem (restaurantes e bares), as oportunidades subirão 27% e a renda média será de R$929. Já nas atividades de recreação e cultura, as oportunidades vão subir apenas 6,1%, mas o salário será o maior no setor, com renda média de R$1.498.

Para Bentes, esse aumento de oportunidades nos serviços de hospedagem está relacionado à demanda para a Copa do Mundo, que ocorrerá em junho deste ano. "Por causa do mundial, inúmeros hotéis foram "obrigados" a contratar em caráter efetivo um quadro de funcionários maior que em 2013. Geralmente, os empregados temporários firmam contrato por temporada, de dezembro a março. Contudo, com o mundial no meio do ano, vale mais a pena para a empresa manter esse funcionário efetivo do que temporário", disse.

O economista acrescentou que “a estadia sempre será a porção mais cara do turismo, contudo indispensável em um pacote de viagem, perdendo apenas para os gastos com passagens aéreas”. 

Fatores do aumento salarial

Segundo a pesquisa, os fatores que contribuem para o aumento do salário no setor turístico estão associados à faixa etária do profissional, sua qualificação e a região do país em que atua. De cada dez empregados, sete tem até 39 anos. Desse total, 25% não chegam a 24 anos. De acordo com o estudo, no ramo da alimentação, o jovem trabalhador com até 17 anos ganha 48% a menos que o idoso (até 65 anos). Já nos serviços de hospedagem essa diferença chega a 61%, enquanto nas atividades de recreação o salário do empregado mais experiente pode alcançar aumento de até 109%.

No aspecto região, a pesquisa considerou o sudeste como a área que mais concentra trabalhadores do setor, com um milhão e 100 mil empregados, com salários que ultrapassam a média nacional. No ramo da alimentação, por exemplo, um trabalhador recebe em média R$887,14, enquanto nos serviços de hospedagem essa renda média atinge R$ 998, 68. Já nas atividades de recreação, setor que mais paga, o salário médio do trabalhador pode chegar a R$1.380,94.

Contudo, para o economista Fabio Bentes, o diferencial na hora do aumento salarial está no fator escolaridade. Segundo o estudo, de cada dez trabalhadores, seis tem apenas o ensino médio completo ou incompleto, com uma renda média de R$ 845,12. A partir do ensino superior, mesmo que incompleto, este valor sobe 30% no setor da hospedagem e 25% na alimentação. Já com a conclusão do curso superior, esta estatística sobre para 33% no ramo da recreação, enquanto nos outros setores os ganhos duplicam.

Turismo cresce no Nordeste

Para a CNC, dos 2 milhões de empregados ligados diretamente ao setor turístico no Brasil, com a região sudeste no topo do ranking, o Nordeste conseguiu alcançar a segunda posição.Ganhando espaço nos últimos anos, a região concentra 16% da mão de obra do setor, o equivalente a 316 mil empregados. a região tem investido em profissionalização. “Apesar de ser uma região com bastante trabalho informal, o setor tem buscado profissionalização nos últimos três anos. Nessa oscilação do dólar, a região acaba se beneficiando, pois o turista interno opta por uma viagem no país ao invés de ir para o exterior”, acrescentou Fabio Bentes.

De acordo com o diretor do departamento de estudos do Ministério do Turismo, José Francisco Lopes, a previsão é de que o turista com destino ao Brasil gaste R$ 920 por dia. O órgão afirmou também que o “incremento de despesa” desse visitante será maior do que as taxas inflacionárias, conforme diz o estudo da CNC.

* Do projeto de estágio do Jornal do Brasil 

Tags: 2014;, carnaval;, cnc, inflação;, turismo;

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