Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Economia

Peter Schiff foi alvo de risos ao prever a crise mundial

Para ele, crise pior deve surgir nos próximos anos e é preciso tomar ações

Agência ANSA

"A economia dos Estados Unidos é como o Titanic, e eu estou aqui com o bote salva-vidas tentando convencer as pessoas a abandonar o navio. Eu vejo uma verdadeira crise financeira chegando aos Estados Unidos". Por mais atual que pareça, a frase foi dita em 2006 pelo economista norte-americano Peter Schiff, quando alertava para os perigos de uma bolha imobiliária que em pouco tempo estouraria. Na ocasião, foi alvo de chacota por diversos economistas.    

Em entrevista à Ansa, o economista disse que ainda é alvo de piadas e que as pessoas não o entendem ou o ignoram. "Eles não se importaram com as minhas análises. Eu não estava apenas adivinhando, eu sabia o que iria acontecer", apontou.

Isso se dá, diz, por conta de sua visão econômica. Schiff é adepto da Escola Austríaca de Economia, também conhecida como dos liberais clássicos, que prega o fim Estado e a autorregulação da economia.    

O norte-americano nascido em New Haven, Connecticut, em 1963, cresceu ouvindo histórias que ilustravam questões econômicas em vez de contos de fadas. Seu pai, Irwin Schiff, autor de livros sobre economia, sempre defendendo a teoria austríaca, está preso por deixar de pagar os impostos - uma questão de honra para ele. 

O economista acredita que a solução para a crise nos Estados Unidos é o fim do Estado ou, diante desta impossibilidade, a diminuição de sua intervenção na vida das pessoas. Alerta ainda que uma crise maior ainda deve estourar nos próximos anos, por conta de anos de erros cometidos por um Estado "inchado". 

A solução, aponta, seria muito dolorosa e um risco que os governantes não estão dispostos a tomar, pois muitas pessoas sofreriam com isso - e eles acabariam perdendo votos. "Quando um drogado vai para a reabilitação, é muito doloroso para ele", compara.    

"Mas essa boa dor é necessária, quanto mais tempo passar, mais doloroso será", ressaltou, acrescentando que "precisamos nos confrontar com a situação que criamos".

Tags: crise, economia, EUA, peter, schiff

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