Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Economia

Pela primeira vez, o governo argentino admite que a inflação está muito alta

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Depois de sete anos, o governo da Argentina reconheceu nesta quinta-feira (13/2) que a inflação está muito elevada no país. O governo apresentou o novo índice de preços para os consumidores domésticos urbanos (CPI-NU) elaborados sob a supervisão do Fundo Monetário Internacional (FMI). De acordo com o indicador, os preços subiram 3,7% em janeiro em relação a dezembro, o maior aumento mensal em 12 anos. As informações estão no jornal argentino La Nacion, edição desta sexta-feira (14/2).

"É um número credível, mesmo para a classe privada", disse Ramiro Castiñeira, da Econometria. "É um primeiro passo para restaurar a confiança do público a partir das estatísticas. Porque a confiança é destruída de uma só vez e construída ao longo do tempo", acrescentou. 

A apresentação do indicador, ao contrário do IPC anterior que tem cobertura em todo o país, ficou na responsabilidade do Ministro da Economia, Axel Kicillof, e as duas pessoas que intervieram pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) desde janeiro de 2007 foram Ana María Edwin e Norberto Itzcovich. O sinal foi duplo enquanto que os que administram o novo indicador devem oferecer garantias de que a cada mês irá publicar um número real. 

O ministro reconheceu que os índices de preços tornaram-se uma "questão de controvérsia", mas não pela manipulação dos números oficiais, que havia questionado a partir do 'think tank' criado quando ele atuou como economista no setor privado, mas pelos índices apresentados com um "forte conteúdo político" e "rigor".

Francisco Gismondi, consultor do Empiria, entretanto, diz que o CPI-NU é apenas um ponto menor do que o publicado pelo Congresso. "Os consultores tiveram a metodologia INDEC, que previa a área metropolitana, e, consequentemente, o aumento do transporte pesado em janeiro. A incidência dos grupos, que não aumentou em todos os distritos diluído, apresentou uma série de inflação muito semelhante", explicou. Para o Congresso, a inflação foi de 4,6%, e para a cidade de Buenos Aires, de 4,8%.

O IPC-100 NU baseia-se no último trimestre de 2013 e inclui todos aqueles que vivem em cidades de 5 mil habitantes ou mais (86,7% da população). Para pesar o consumo de diferentes produtos, foi baseado na Pesquisa de Orçamentos Nacional de Domicílios (Engh) realizado entre os anos de 2012 e 2013. O IPC-NU surge, por sua vez, em uma pesquisa mensal de cerca de 230 mil preços em mais de 13 mil locais em todo o país, e será conhecido dentro de 8 a 10 dias úteis após o término do mês.

Em janeiro, o IPC-NU, na área de alimentos e bebidas, subiu 3,3% em relação a dezembro de 2013, enquanto vestuário cresceu 0,8%, habitação e serviços, 2,2%; equipamentos e manutenção casa, 4,3%, cuidados médicos e despesas de saúde, 5,9%, transportes e comunicações, 5,4%, e recreação, de 4,8%. Foi o aumento mais acentuado dos preços no atacado. Em janeiro, o índice de preços por atacado doméstico (WPI) subiu 4,9%, enquanto os produtos domésticos subiu 4,8% e importou 6,1%.

A presidente Cristina Kirchner disse ontem que o governo havia sido "vítima de uma campanha forte, furiosa", em que os empresários tiveram que tirar proveito de "lucros inesperados que não têm justificação". Ela não explicou como a inflação atingiu o atual nível, agora oficialmente um dos mais altos da região. Nem o que o governo vai fazer com o resto dos indicadores questionados, como o PIB, ou até 10,4% da projeção de inflação para o ano de 2014, incluídos no orçamento nacional já muito distante, mesmo em o INDEC.

Tags: Argentina, indicadores, inflação, kirchner, PIB

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