Jornal do Brasil

Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Economia

Governo terá que ajustar em breve os preços dos combustíveis e energia

Será necessário também um ajuste fiscal

Jornal do Brasil

Governo terá pela frente um sério problema para resolver no curto prazo: a necessidade de ajustar os preços dos combustíveis e da energia elétrica,que estão congelados e defasados. A afirmação consta do boletim “Síntese da Economia, divulgado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC). Segundo o informativo, o aumento da inflação resultante desses ajustes terá de ser compensado por uma redução dos gastos do Governo e uma contenção do crédito nos bancos oficiais (CEF, BNDES e BB).

Essas medidas, afirma o boletim, vão produzir uma queda das atividades econômicas, mas têm que ser adotadas antes que a situação atinja uma gravidade de sérias conseqüências políticas e sociais. O informativo faz ainda uma referência irônica aos empréstimos do BNDES para o porto de Havana, ressaltando que “a brincadeira de financiar investimentos em Cuba só agrava o problema”.

Segundo o boletim, no momento, o Governo não tem como reduzir a inflação abaixo de 6%, média anual dos últimos 10 anos. “Entretanto, esse não é o maior problema e não cabe argumentar que no total são 80% de perda acumulada no período”, ressalta o texto. Perda que não seria para os assalariados, afirma o boletim, que reajustam os salários em termos reais. E nem para os beneficiários de renda fixa ou os empresários. “Então, certamente, a inflação de 6% não é o maior problema, no quadro das preocupações atuais do Governo”, destaca o texto. O esforço sério para reduzir a inflação, segundo o informativo, pode aguardar 2015. “O Banco Central independente pode complicar a situação, se insistir na elevação da taxa SELIC”, completa.

De acordo com o boletim, até lá o Governo terá que conviver com o desequilíbrio das contas externas, que vão pressionar a desvalorização cambial e, por consequência, a inflação. É rezar para que a Copa do Mundo, em junho, transcorra sem maiores tumultos.

O reino da burocracia

O informativo conta ainda uma história pessoal do presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, Antonio Oliveira Santos, que viu, em Nova York, no gabinete do Presidente do Banco J. P. Morgan, Lew Preston, uma pequena moldura na parede com os seguintes dizeres: “Se V. não for capaz de expor o seu problema em cinco minutos, eu certamente não poderei ajudar a resolvê-lo”. Esse primor de lição de simplicidade, como disse o Presidente da CNC, de acordo com o informativo, passa longe dos gabinetes oficiais de Brasília, onde está instalada em todos os Ministérios e órgãos do Governo a mais pesada máquina burocrática.

Cada um dos 39 Ministérios se desdobra em diversas secretarias que, por sua vez, se desdobram em dezenas de departamentos e divisões, com centenas de funcionários em cada uma delas. O boletim refere-se ainda a Antonio de Oliveira Santos destacando que a última “pérola”, segundo ele, foi exibida pelo Ministério do Planejamento que, em reestruturação recente, passa a ter: 8 secretarias, 28 departamentos, 3 comissões, 3 fundações, 10 órgãos de “assistência imediata ao Ministro”, 1.133 cargos em comissão, de livre nomeação e 309 funções gratificadas. “Cabe também menção honrosa para a atual legislação trabalhista, um cipoal de 2.496 dispositivos que regem o mercado de trabalho do País, inclusive 67 artigos da Constituição e 922 da CLT, além de 746 normas e súmulas do Tribunal Superior do Trabalho”, diz o informativo.

Atividades econômicas

O informativo destaca ainda que a dramática queda da produção industrial em dezembro provocou redução nas previsões de crescimento do PIB nacional para 1,5% em 2014, conforme relatórios dos bancos J. P. Morgan e Credit Suisse. “Agravam essas previsões a forte seca em vários Estados e o baixo nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas, indicando dificuldades para o setor industrial e possíveis danos para a agricultura”, completa o texto. No dia 05/02, relata o boletim, o consumo de energia elétrica aumentou 9,2%, em relação a dezembro/13. “Dirigentes da Fiesp, da Abimaq (máquinas) e Abinee (eletrodomésticos) dizem estar céticos em relação à política econômica e sem confiança no Governo”, finaliza. 

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