Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Economia

Vendas no varejo variam -0,2% em dezembro, revela IBGE

Agência IN

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta quinta-feira, 13, que em dezembro de 2013, na série com ajuste sazonal, o volume de vendas do comércio varejista do país variou -0,2% e a receita nominal, 0,5% em relação a novembro. É o primeiro resultado negativo após nove meses consecutivos na série de volume de vendas. Já a receita nominal segue evoluindo positivamente desde junho de 2012. Em termos de variação da média móvel, tanto o volume quanto a receita apresentaram taxas positivas de 0,2% e 0,8%, respectivamente. Em relação ao ano anterior, para o volume de vendas as taxas foram de 4,0% sobre dezembro de 2012 e de 4,3% no acumulado do ano. No que se refere à receita nominal as variações foram de 10,7% com relação a igual mês de 2012 e de 11,9% no ano.

No comércio varejista ampliado, na série com ajuste sazonal, houve variações negativas de -1,5% no volume de vendas e de -1,0% na receita nominal, após dois meses de crescimento. Em relação a dezembro de 2012, tanto o volume de vendas quanto a receita registraram resultados positivos, de 2,9% e de 8,7%, respectivamente. Na comparação com o ano anterior, o volume de vendas registrou variações de 2,9% sobre dezembro de 2012 e de 3,6% no acumulado do ano. Quanto à receita nominal, as taxas foram de 8,7% e 8,9%, respectivamente.

Na análise da série ajustada, para o volume de vendas, das 10 atividades que compõem o comércio varejista ampliado, seis apresentaram variações negativas, a saber: -12,6% para Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação; -3,5% para Móveis e eletrodomésticos; -3,4% para Veículos, motos, partes e peças; -1,9% para Combustíveis e lubrificantes; -1,2% para Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos; e -0,2% em Material de construção. Os resultados positivos, por sua vez, foram observados em Tecidos vestuário e calçados (0,7%); em Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,5%); em Outros artigos de uso pessoal e doméstico (0,2%); e para Livros, jornais, revistas e papelaria (0,2%).

Já na relação dezembro de 2013/dezembro de 2012, das oito atividades pesquisadas do varejo, apenas o segmento de Móveis e eletrodomésticos obteve queda (-0,9%). Enquanto isso, a principal expansão ocorreu em Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, com taxa de 12,4%;seguido por Outros artigos de uso pessoal e doméstico (11,2%); Equipamentos e material para escritório, informática e comunicação (9,5%); Combustíveis e lubrificantes (5,7%); Livros, jornais, revistas e papelaria (3,9%); Tecidos, vestuário e calçados (3,2%); e Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com 2,4%.

O segmento de Outros artigos de uso pessoal e doméstico registrou expansão no volume de vendas em 2013 da ordem de 10,3% em relação ao ano anterior, resultado que o levou a responder por 23,3% da taxa anual do varejo, sendo este o principal impacto no resultado anual do comércio varejista. Dentre os diversos ramos do comércio que compõem a atividade, o de lojas de departamentos foi o que teve maior influência no resultado, respondendo por 48% da taxa final da atividade.

A atividade de Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, com crescimento de 1,9% em 2013 em relação ao ano anterior, exerceu o segundo maior impacto na formação da taxa geral do varejo (22,6%). O declínio da taxa de crescimento em relação à do ano passado, quando o aumento foi de 8,5% em relação a 2011, pode ser explicado pela desaceleração do ritmo de crescimento da massa real de salário, com taxa de variação de 2,9% em 2013, contra os 6,5% de 2012, segundo a Pesquisa Mensal de Emprego.

A atividade de Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria, que registrou crescimento de 10,1%, em relação ao ano anterior, apresentou a terceira maior contribuição à taxa anual do comércio varejista (15%). A variação de preços de medicamentos abaixo do Índice Geral1 e a expansão da massa de salários, somadas ao caráter de uso essencial de seus produtos, são os principais fatores explicativos do desempenho do segmento acima da média geral do varejo.

A quarta maior contribuição à taxa global do varejo coube a atividade de Combustíveis e lubrificantes (14,6%), que apresentou, em 2013, resultado positivo no volume de vendas da ordem de 6,3% com relação ao ano anterior. Esse desempenho foi influenciado, não só pelo comportamento dos preços dos combustíveis, cujo aumento em 2013 (6,1%) ficou muito próximo da média geral (5,9%), segundo o IPCA; bem como pelo crescimento da frota nacional de veículos.

Com aumento de 5,0% em relação ao ano anterior, a atividade de Móveis e eletrodomésticos exerceu o quinto maior impacto (14,4%) da taxa anual do varejo. A redução do ritmo de crescimento da atividade diante do resultado de 2012 (12,2%) deveu-se, principalmente, ao comportamento do volume de vendas de móveis, cuja variação passou de 11,9% em 2012 para -1,6% em 2013, motivada pelo aumento dos preços de mobiliário2, apesar da desoneração fiscal sobre produtos do gênero (redução do IPI). Já o segmento de eletrodomésticos, que representa 65% da atividade de Móveis e eletrodomésticos, registrou expansão de 8,6% em relação ao ano anterior.

A sexta maior contribuição para o resultado global no ano de 2013 coube ao segmento de Tecidos, vestuário e calçados, com uma variação de 3,5% em relação ao ano anterior, o mesmo resultado de 2012. Mesmo com os preços de vestuário se comportando abaixo do índice geral (5,3% contra 5,9% em 2013, segundo o IPCA), a atividade apresenta variação anual inferior à média do varejo.

Exercendo o sétimo maior impacto positivo no resultado do varejo no ano, a atividade de Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação obteve acréscimo no volume de vendas de 7,2% sobre o ano de 2012. Mesmo com uma taxa superior à média global do setor varejista, o resultado de 2013, assim como o de 2012, representa menos da metade da variação de 2011 (19,6%). A mudança no patamar de preços de microcomputadores (variações anuais de -9,3% em 2011; -5,2% em 2012 e 6,3% em 2013) e o menor ritmo de expansão do crédito, segundo dados do Banco Central, explicam o desempenho da atividade este ano.

O segmento de Livros, jornais, revistas e papelaria foi responsável pela menor contribuição à taxa global, registrando variação de 2,6% em relação a 2012.

Em 2013, o volume de vendas do comércio varejista ampliado cresceu 3,6% em relação ao ano anterior, depois de uma expansão de 8,0% em 2012. Essa desaceleração deveu-se à queda do ritmo de crescimento das vendas de Veículos, motos, partes e peças, de7,3% em 2012 para 1,4% em 2013. Entre os fatores que podem justificar este resultado estão a maior rigidez na concessão de créditos; a elevação da taxa básica de juros a partir de abril de 2013, e o menor dinamismo do consumo das famílias.

O segmento de Material de construção apresentou taxa de crescimento, em 2013, da ordem de 6,9% sobre o ano anterior. A continuidade da política de redução do IPI para uma cesta de produtos do setor, bem como as condições favoráveis do crédito habitacional, somado ao programa governamental “Minha Casa Minha Vida”, foram os fatores que contribuíram para o resultado positivo da atividade.

Por Unidades da Federação, os resultados com ajuste sazonal para o volume de vendas apontam, na comparação mês/mês anterior, apenas seis estados com variações positivas. Os acréscimos ocorreram em Rondônia (1,6%); Roraima (1,4%); Piauí (1,3%); Santa Catarina (1,2%); Mato Grosso (0,7%); e Paraná (0,7%). Já as principais quedas se estabeleceram em Tocantins (-11,9%); Mato Grosso (-7,1%); Paraíba (-5,8%); Sergipe (-5,4%); e Amapá (-3,1%).

Ainda no corte regional, no que tange ao volume de vendas, na comparação dezembro 13/dezembro 12, somente duas Unidades da Federação apresentaram resultados negativos, a saber: Espírito Santo (-3,7%) e Sergipe (-0,2%). Nas demais UFs as variações de maior magnitude se estabeleceram em Mato Grosso do Sul (15,6%); Acre (13,2%); Rondônia (13,2%); Maranhão (9,7%); e Paraná (8,9%). Quanto à participação na composição da taxa do Comércio varejista, os destaques, pela ordem, foram: São Paulo (3,6%); Paraná (8,9%); Rio Grande do Sul (5,0%); Rio de Janeiro (2,5%); e Mato Grosso do Sul (15,6%).

Tomando-se por base o volume de vendas do comércio varejista ampliado, os resultados de dezembro de 2013 por Unidades da Federação, no que se refere ao mesmo mês do ano anterior, mostra o seguinte quadro: 22 estados registrando crescimento, com as maiores variações ocorrendo no Acre (11,3%); Mato Grosso do Sul (11,0%); Santa Catarina (8,5%); Paraná (7,5%); e Amazonas (7,2%). Já as maiores taxas negativas foram no Espírito Santo (-10,6%); Tocantins (-7,3%); e Minas Gerais (-5,2%).

Tags: brasil, comércio, economia, taxa, varejo

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.