Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Economia

Educação eleva custo de vida em janeiro, em São Paulo

Alta nos preços do cigarro, água e combustíveis também causaram impacto

Jornal do Brasil

A educação foi o principal fator de aumento dos índices de preços em São Paulo no mês de janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese), houve um aumento de 1,95% em janeiro deste ano, variação de 1,51 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Em janeiro de 2013 a elevação verificada foi de 1,77%. O grupo de Educação e Leitura teve a maior contribuição, com alta de 7,63%.

Patricia Costa, do Dieese, destaca os aumentos específicos do segmento de Educação, com o reajuste das mensalidades escolares, por exemplo. No grupo, os itens com as maiores taxas foram a educação infantil e ensino fundamental, com variações superiores a 10%, ensino médio, com 9,38%, universitário (8,11%) e livros didáticos (7,68%).

Janeiro também contou com aumentos pontuais com em Habitação (1,94%) e Alimentação (1,38%)
Janeiro também contou com aumentos pontuais com em Habitação (1,94%) e Alimentação (1,38%)

Tiveram grande influência também o aumento dos combustíveis, que começou a influenciar os preços para os consumidores ainda em dezembro e que no mês seguinte ainda contribuía para um aumento da taxa. Patrícia também destacou o aumento de 12,57% do preço do cigarro, cujo impacto foi sentido por completo no mês de janeiro, e que teve acréscimo entre janeiro e dezembro pelo segundo ano consecutivo. Patrícia ressaltou ainda a importância do aumento do custo da água, de 3,13%. 

Outros aumentos pontuais são relacionados à Alimentação (1,38%) e Habitação (1,94%), disse. Em habitação, a operação do domicílio teve alta de 2,67%; locação, impostos e condomínio de 1,60% e conservação do domicílio, 0,19%. As variações que mais se destacaram no grupo Habitação foram serviços domésticos (7,12%), condomínio (4,21%) e água (3,13%).

Em Alimentação, as hortaliças foram as que mais tiveram o preço aumentado, com índice de 7,03% e variação positiva em quase todos os produtos. A couve-flor aumentou 17,43%, a escarola 7,61% e o alface 6,94%. Em seguida aparecem as frutas (4,06%), raízes e tubérculos (3,66%), como a cebola, que aumentou 19,23%, e a carne bovina (3,55%). 

Os cigarros, que entram no grupo Despesas Pessoais, como pesam mais na estrutura orçamentária das famílias de menor poder aquisitivo, teve maior impacto para o estrato 1, de renda mais baixa, com taxa de 7,54% e contribuição de 0,44 p.p.. No estrato 2, a variação foi de 7% e o impacto de 0,34 p.p. e no 3, de 6,22% e 0,22 p.p.. 

O estrato 1 corresponde à estrutura de gastos de um terço das famílias mais pobres, com renda média de R$ 377,49; o estrato 2 contempla os gastos das famílias com nível intermediário de rendimento, com renda média de R$ 934,17 e o 3º estrato reúne os de maior poder aquisitivo, com renda média de R$ 2.792,90.

Enquanto em Educação a maior variação foi sentida pelos de maior renda, em Despesas Pessoais o estrato dos mais pobres foi o que teve maior alta nos preços
Enquanto em Educação a maior variação foi sentida pelos de maior renda, em Despesas Pessoais o estrato dos mais pobres foi o que teve maior alta nos preços

Os impactos no aumento dos preços variam de acordo com o estrato de renda da população. Enquanto em Educação a maior variação foi sentida pelo estrato 3, em despesas pessoais o estrato dos mais pobres foi o que mais sentiu a alta dos preços.  Na taxa geral, para os de menor rendimento, do 1º estrato, ocorreu alta de 1,54%; para as de nível intermediário, do 2º estrato, a taxa ficou em 1,65% e para as de maior poder aquisitivo, do estrato 3, houve maior elevação de 2,20%.

A tendência, como nos anos anteriores, é que o índice do custo de vida calculado pelo Dieese tenha uma variação menor em fevereiro na capital paulista. Em fevereiro do ano passado, a taxa em fevereiro ficou em 0,12%, depois do 1,77% de janeiro. Em 2012, o desempenho de fevereiro havia ficado em 0,13% frente ao 1,32% de janeiro. 

Nos últimos 12 meses, de fevereiro de 2013 a janeiro de 2014, o ICV-DIEESE acumula taxa de 6,23%. A variação anual foi crescente em relação ao poder aquisitivo: com taxa de 4,76% para o 1º estrato, 5,50% para o 2º e 6,97% para o 3º.

O índice do Dieese acumula alguns aumentos importantes, que em outros índices tendem a ser diluídos, reforça Patrícia. "Nosso índice olha o consumo, algumas coisas pontuais que acontecem anualmente, como é o caso da mensalidade escolar e do cigarro, que pelo segundo ano consecutivo foi reajustado entre dezembro e janeiro. Para o consumidor, isso acaba impactando mais".

Tags: aumento, Dieese, inflação, preço, SP

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