Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Economia

Artigo do Wall Street avalia impacto de créditos por bancos estatais brasileiros

Jornal do Brasil

O jornal americano The Wall Street voltou a avaliar a participação da presidente brasileira, Dilma Rousseff, em Davos, na Suiça, no mês passado, mas especialmente a sua passagem por Cuba, para a inauguração da revitalização do Porto de Mariel, cujas obras receberam subsídio de 700 milhões de dólares do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e ainda a promessa de Dilma que deve liberar outros 200 milhões de dólares destinados à segunda fase da construção. O Wall Street considerou que a mensagem de Dilma para os investidores internacionais durante o seu discurso em Davos, foi contraditória à sua passagem por Cuba.

O Wall Street ressalta que desde 1959, Castro acumulou uma dívida externa não remunerada e outros créditos, totalizando cerca de 75 milhões dólares, incluindo 35 bilhões de dólares em dívida com o Clube de Paris. "Cuba é um dos caloteiros mais notórios do mundo, e a economia cubana está moribunda. Assim, parece um empreendimento de alto risco para créditos", destaca o texto. Segundo o veículo, a atuação do BNDES tem uma inspiração de longa data do governo brasileiro, que pretende se tornar um gigante da indústria global, direcionando créditos. A Odebrecht, grande empresa de construção civil brasileira, que tem um contrato para a modernização do Porto de Mariel, é o grande beneficiário do empréstimo bonificado do BNDES. A reportagem cita que o jornal Valor Econômico informa que a Odebrecht "está festejando em Cuba", onde também foi contratada para reformar os aeroportos de Havana com os empréstimos subsidiados do BNDES.

Subsidiar indústrias brasileiras é o objetivo do BNDES. Mas os maiores empréstimos do banco de desenvolvimento estão em desacordo com a afirmação de Dilma Rousseff, de que o Brasil está prestes a se tornar um país sério. Graças às taxas de juros do Federal Reserve dos EUA, perto de zero, os investidores norte-americanos inundaram o Brasil com dólares em busca de rendimentos mais elevados. 

O Brasil não enfrenta uma crise iminente. O banco central diz que tem cerca de 360 bilhões de dólares em reservas internacionais. No entanto, com um déficit fiscal de 3,3% do produto interno bruto e dívida bruta de 60% do PIB, perfil de investimento do Brasil está se deteriorando. Empréstimos do BNDES e outros bancos estatais, como Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Desde que esses bancos dependem de transferências do Tesouro, o órgão tem que pegar empréstimo no mercado para levantar esse dinheiro.  

Desde 2008, os banqueiros estatais têm enlouquecido com a saída do dinheiro para o exterior. Os empréstimos do BNDES cresceram em 52% em 2009, 9% em 2010, 15% em 2011 e 18% em 2012. Crédito expandiu 24% entre os anos de 2009 a 2012, no Banco do Brasil. Como as taxas de juros subiram, o maior custo de serviço da dívida do governo pressiona o déficit fiscal para aumentar ainda mais. Políticas fiscais e regulatórias pesadas já é um entrave ao negócio, e a inflação anual já está sendo veiculada em 5,6%. Para combater o aumento do nível de preços, o Banco Central aumentou a sua taxa de empréstimo overnight para 10,5%.

Em outubro, a revista The Economist relatou na reportagem "Documentos vazados mostram que os analistas da Caixa pensam que as taxas de inadimplência serão de 30 a 50%.". A matéria do Wall Street relembra que o BNDES emprestou as empresas lideradas por Eike Batista cerca de 4,7 bilhões de dólares, cujo império entrou em colapso no ano passado, depois de sua empresa de petróleo OGX entrar com pedido de falência.

Tags: brasil, Cuba, dívida, externa, odebrecht, rousseff

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