Jornal do Brasil

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2014

Economia

Linhão de Belo Monte divide opiniões dos especialistas

Aporte de recursos para obra pode ajudar Eletrobras

Jornal do Brasil

O leilão da linha de transmissão de energia da usina de Belo Monte (PA) para as regiões Sul e Sudeste pode ser um alento para a Eletrobras que enfrenta sérias dificuldades de caixa. A opinião é do ex-presidente da empresa e atual diretor do Coppe - Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa. “O leilão foi uma vitória da Eletrobras e essa obra pode ser uma boa oportunidade para a empresa sair das dificuldades”, afirmou.

Pinguelli Rosa afirma que possivelmente, pela dificuldade da Eletrobras, os sócios chineses da State Grid Brazil Holding S.A. deverão fazer o aporte de capital e a estatal brasileira deverá entrar com a experiência que tem nesse tipo de empreendimento. “Eu visitei essa empresa na China e seu tamanho me surpreendeu. Certamente farão aporte de capital para esse linhão aqui no Brasil e, junto com os recursos do BNDES, os investimentos poderão ser muito importantes para a Eletrobras”, disse ele.

>> Consórcio de chineses e Eletrobras vence leilão de linha de Belo Monte

>> Aneel comemora sucesso em leilão de linhas de transmissão de energia

Outra questão importante, por se tratar de duas empresas estatais, é quanto ao tempo de execução da obra. De acordo com Pinguelli Rosa, no que depender dos chineses, o projeto será concluído rapidamente. “Eles têm uma capacidade excepcional de realização, não são nem um pouco inoperantes”, disse ele. O diretor do Coppe disse ainda que a participação dos chineses nesse empreendimento se deve ainda a interesse deles em estar presentes no Brasil, como principal país da América Latina, tanto no que diz respeito à possibilidade de ganhos quanto à interesses políticos.

Já na opinião do diretor do economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires, o ágio pago pelo consórcio ficou bem distante do segundo colocar que ofertou um percentual em torno de 11%. Essa diferença, afirma ele, se deve ao fato do consórcio ser formado por empresas estatais que tem taxas de retorno diferenciadas das empresas privadas. “Os chineses aceitaram esse ágio porque têm interesse em vender equipamentos para o setor no Brasil e a Eletrobras, que está quebrada, está participando por força do governo que quer uma taxa de retorno patriótica para a estatal e também por ajudar no combate à inflação”, disse ele.

Adriano destaca que mais recursos públicos deverão ser alocados no projeto se somando aos gastos com o setor elétrico neste ano. “Em 2013 foram colocados R$ 10 bilhões no setor por conta da redução das tarifas e esse ano, segundo previsões do mercado, com o MW/h entre R$ 600 e R$ 700, esses gastos podem chegar a R$ 18 bilhões”, disse ele alertando para o fato dessa conta um dia vir a ser cobrada dos consumidores e contribuintes.

A construção do linhão, segundo Adriano, é uma obra de grande vulto e leva tempo para ser concluída. Feita por uma estatal, afirma ele, leva mais tempo ainda. “São licenças ambientais que demoram para ser concedidas, além de problemas fundiários, entre outros, que vão atrasando o cronograma e, com a Eletrobras quebrada, pode demorar mais ainda. Isso é um péssimo sinal para os investidores estrangeiros”, disse ele.

Tags: a construção, adriano, de grande, do linhão, é uma, obra, segundo, vulto

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.