Jornal do Brasil

Segunda-feira, 24 de Novembro de 2014

Economia

Banco Central da Europa consegue manter estavél a taxa básica de juros

Jornal do Brasil

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, está adotando a abordagem de esperar para ver como a ameaça de deflação paira sobre a Zona do Euro e a taxa de desemprego da região reage, já que ainda continua alta. As informações são do jornal The New York Times (NYT), que destaca nesta sexta-feira (7/1) a crescente pressão ao banco central, que conseguiu manter a taxa básica de juros inalterada nesta quinta-feira (6), pelo terceiro mês consecutivo, em uma baixa recorde de 0,25%. Draghi disse que o banco central precisa de mais dados antes de fazer qualquer movimento para estimular a economia e pretende fazer uma reavaliação no próximo mês.  

Os economistas têm despertado uma maior preocupação quanto a economia europeia atingir ainda mais o mercado exterior. A taxa de inflação tem sido inferior a 1% em todos os meses desde outubro. O temor é que esses preços baixos de consumo caiam na deflação real, como um sinal de economia lenta e evitada pelas empresas e consumidores, que não vêem razões para investir.

O NYT destaca que Draghi parece não medir esforços para desafiar os pessimistas e destacou um depoimento recente dele com relação a zona do euro - "está passando por um período prolongado de inflação baixa". No entanto, numa entrevista posterior, Draghi havia afirmado: "Nós temos que dispensar a pergunta: Existe a deflação? A resposta é não".

Os mercados financeiros impulsionaram a decisão do banco central, com ações amplamente superiores na Europa e em Wall Street, e o euro ganhando terreno em relação ao dólar. Os economistas dizem que, provavelmente, o Banco Central Europeu terá que agir no próximo mês, mediante o fraco ambiente econômico. Com mais de 19 milhões de pessoas oficialmente listadas como desempregados na zona do euro, a queda dos preços seria mais um peso sobre o mercado de trabalho, os lucros das empresas e o crescimento. Isso porque a queda dos preços coloca pressão nos devedores, pelo padrão de alguns empréstimos, fato dos seus ativos valerem menos do que eles pagaram por eles, o que poderia enfraquecer ainda mais o sistema bancário na Europa.

Economistas alertam que são necessárias medidas urgentes e de curto prazo, já que a deflação é tão difícil de combater. Alguns estão optando pela Reserva Federal, baseado na informação de que o banco central iria iniciar um grande programa de compra de títulos para o mercado, com liquidez destinada a flutuação dos preços.

Draghi reforçou que o banco central estava "pronto e disposto" a usar todos os meios à sua disposição no combate a deflação que se tornou um problema. Ele não descartou algum tipo de flexibilização quantitativa. Disse também que o banco havia estudado a possibilidade de aumentar a oferta de dinheiro por não compensar a compra de títulos que compraram nos anos de 2010 e 2012.

O ganho do euro em relação ao dólar após o anúncio do Banco Central Europeu evidenciou outro problema para a região. Enquanto alguns vêem o euro forte, como sinal de confiança após a agitação da crise da dívida, também é considerado um obstáculo em um período de inflação ultrabaixa. Funcionários e empresas europeias seriam beneficiadas caso houvesse um declínio no valor do euro. Ele ajudaria a aliviar muitas das preocupações de deflação do banco central, pois os preços dos bens importados subiria, contribuindo também para a recuperação da economia, fazendo os preços das exportações europeias mais competitivos nos mercados internacionais.

Na quinta-feira (6), o Banco Central Europeu também deixou inalterada a taxa de depósito que paga os bancos comerciais. Essa taxa se mantém em zero. Houve especulação por alguns economistas e analistas de que o banco central poderia reduzir a taxa de depósito, forçando os bancos a pagar o BC para manter o seu dinheiro. Isso poderia encorajar os bancos a emprestar mais para as empresas e consumidores. 

Segundo um economista entrevistado pelo jornal, o banco central teria novos relatórios econômicos para trabalhar até a sua próxima reunião, em 6 de Março, incluindo os dados sobre a inflação de fevereiro, no quarto trimestre do produto interno bruto da zona do euro, e as novas projeções do Banco Central Europeu. Segundo a reportagem, há razões para o otimismo sobre a economia da zona do euro, de que as estimativas do banco central irá expandir 1,1% este ano. Leituras de consumidores e empresários demonstram um forte sentimento nesse sentindo, e pesquisas de gerentes de compras indicaram que a produção está nos níveis mais altos há mais de dois anos.

Tags: banco, central, deflação, euro, Zona

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