Jornal do Brasil

Quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

Economia

Quem tem medo da inflação?

Jornal do Brasil

O Boletim "Síntese da Conjuntura" divulgado pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) destaca que o aumento dos juros para combater a inflação pode ter um efeito colateral bastante negativo sobre os investimentos e os índices continuarão nos mesmos patamares. A inflação, destaca o texto, deve ser combatida, mas é preciso ter uma uma avliação mais precisa dos problemas econômicas para que as medidas certas sejam tomadas. veja abaixo a íntegra do texto:

É possível afirmar que a inflação prejudica o desenvolvimento econômico e cria insatisfação social. Em verdade, a experiência nos diz que a inflação desfigura os planos dos empresários e provoca adiamento dos investimentos. Ao mesmo tempo, distorce a taxa de câmbio e provoca desequilíbrio no Balanço de Pagamentos.

Não é isso que está ocorrendo na economia brasileira, na atual conjuntura, pois a retração dos investimentos e o clima de desconfiança dos empresários não se deve à inflação, mas a várias outras causas como, por exemplo, a pesada carga tributária, a sufocante burocracia oficial, a incompetente gestão pública, a insegurança jurídica, a falta de adequada infraestrutura. O mesmo se aplica em relação à insatisfação social, eis que a perda de poder aquisitivo da renda dos trabalhadores tem sido compensada pelos pródigos reajustes salariais. A insatisfação social tem outras causas, na área da saúde, de educação, da mobilidade urbana, da segurança pública.

Há mais de dez anos que o índice anual da inflação tem evoluído em torno de 6%. É evidente que, nos últimos anos, essa taxa tem sido mantida à custa dos prejuízos impostos à Petrobras, à Eletrobras e aos Estados e Municípios, comprometidos com os preços administrados pelo Governo. A nosso ver, os danos que essa política vem causando superam de longe os efeitos de uma inflação de 6%. Então, é óbvio que para fugir ao dilema de reajuste dos preços administrados e do controle da inflação, a política econômica deveria atacar outras fontes de pressão inflacionária, a começar pelo déficit fiscal e a expansão do crédito.

É evidente que a Caixa Econômica não pode continuar expandindo seus empréstimos a uma taxa anual de 40%. É imperioso refrear esse ritmo de expansão, mesmo sabendo que, certamente, vai esfriar o mercado imobiliário; em compensação, vai conter a alta de preços dos imóveis e dos materiais de construção.

Essa tarefa não é do Banco Central, mas do Governo como um todo. Cabe ao Governo  administrar essas incoerências, antes que seja tarde.

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