Jornal do Brasil

Terça-feira, 30 de Setembro de 2014

Economia

Inflação na Zona do Euro cai e o desemprego permanece

Jornal do Brasil

O jornal New York Times publicou no sábado (1/2) uma matéria sobre a crise na Europa. A reportagem diz que o mercado de trabalho da Europa permaneceu no marasmo em dezembro, enquanto a taxa de inflação atingiu a marca do nível que recentemente levou o Banco Central Europeu a cortar as taxas de juros, segundo os dados oficiais da última sexta-feira (31/1). Os relatórios sugerem que o banco vai sofrer uma pressão para fornecer mais estímulo monetário no intuito de manter uma recuperação que está despontando. 

A taxa de desemprego na Zona do Euro foi de 12%, inalterada desde outubro. Já a taxa de inflação ficou em 0,7% em janeiro, segundo a estimativa do Eurostat, menor do que os 0,8% esperado pelos economistas para o mês de dezembro. A taxa de núcleo, que incide sobre os serviços de energia, alimentos, álcool e tabaco, foi de 0,8%. 

Mario Draghi, presidente do Banco Central Europeu, e os seus colegas do Conselho do Banco Central, surpreenderam os investidores em novembro, com o corte da principal taxa de juros da Zona do Euro em 1.4 pontos para uma baixa recorde de 0,25%, em face das preocupações que a Europa pode estar indo em direção a um atoleiro deflacionário como aconteceu no Japão. O banco central agiu depois que a inflação da Zona do Euro caiu para 0,7%. O banco tenta segurar a inflação um pouco abaixo de 2 %. 

Alguns economistas argumentam que a queda da inflação na Zona do Euro, que vem depois de cinco anos de recessão ou de crescimento muito lento, significa que o bloco monetário enfrenta um risco agudo de deflação - uma queda sustentada e abrangente dos preços que podem destruir os lucros das empresas e os postos de trabalho em atividade.

Outros economistas dizem acreditar que a desaceleração da inflação é apenas um sinal de que os salários estão caindo em países como Espanha e Grécia, onde os custos de trabalho tornaram-se demasiadamente elevados para as empresas no mercado internacional. Draghi, que advertiu que a crise do euro não vai acabar até que o mercado de trabalho comece a se recuperar, tem procurado caminhos para minimizar o risco de deflação, talvez para manter em reserva a possibilidade de um último grande corte da taxa, para zero.

A taxa de inflação de 0,7% veio, possivelmente, como uma surpresa para o Banco Central Europeu. Draghi tinha minimizado a importância dos 0,8% em dezembro, dizendo que uma peculiaridade estatística nos serviços de dados alemães para esse mês tinha empurrado ele mais baixo e que janeiro, provavelmente, mostraria uma maior pressão ascendente sobre os preços.

Apesar das preocupações com a deflação, Carsten Brzeski, economista do ING Group, previu que o banco central não tomaria nenhuma ação adicional quando o seu Conselho do BCE se reuniu na quinta-feira (30). Por um lado, observou ele, "a situação macroeconômica não mudou dramaticamente" desde que o Conselho se reuniu pela última vez, no início de janeiro, e não havia sinais de esperança que permitisse os decisores políticos aguardar a sua vez.

Além disso, Brzeski disse que o banco central estava à espera de uma decisão de um tribunal superior alemão sobre a constitucionalidade de seu programa de compra de títulos "e eles não querem se envolver em qualquer coisa complicada antes do veredito.". A deflação coloca um problema para um banco central, porque as taxas de juros nominais, a ferramenta usual para dar resposta aos níveis de preços, não pode ir abaixo de zero.

Draghi sugeriu que o banco central estava considerando ferramentas não convencionais, inclusive instituindo taxas de depósito negativas, com efeito de penalizar as instituições financeiras, para manter os fundos no banco na esperança de que ele pode levá-los a colocar mais dinheiro na economia. O banco central informou na quarta-feira (29) uma desaceleração no crescimento da oferta de moeda e um declínio nos empréstimos ao setor privado, o que indica que o crédito não está atingindo a economia real. Um relatório do Escritório Federal de Estatística alemão, divulgado na sexta-feira (31), mostrou que as vendas a atacado na Alemanha caíram fortemente em dezembro, com queda de 2,5%, após um aumento de 0,9% em novembro.

Relatos no fim da semana passada dizem respeito que as ações europeias apararam as perdas anteriores, mas mesmo assim a sexta-feira fechou em baixa. Outros dados recentes apresentam uma imagem mais positiva das perspectivas econômicas. Confiança dos consumidores e negócios têm sido relativamente forte, e uma pesquisa divulgada em janeiro com os gerentes de compras da Europa, sugeriu que a atividade industrial na Zona do Euro estava em seu nível mais alto desde meados de 2011. 

Nos postos de trabalho, a taxa de desemprego em todos os 28 países da União Europeia caiu ligeiramente, para 10,7% em dezembro,  de 10,8% no mês anterior. Eurostat estima que 26,2 milhões de pessoas na União Europeia estavam à procura de trabalho no mês passado. Brzeski observou que o mercado de trabalho foi um indicador de atraso, o que significa que a contratação tendem a pegar só depois que a economia estiver em uma base sólida.

Tags: banco, central, crise, Europa, mercado, Trabalho

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