Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Economia

Paulistanos estão mais endividados em janeiro

Agência IN

O endividamento dos paulistanos cresceu neste mês, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O número de famílias paulistanas endividadas avançou 12,1% de janeiro de 2013 para janeiro de 2014. Em números absolutos, passou de um patamar de 1,751 milhão para 1,963 milhão.

Proporcionalmente, a taxa de endividamento na capital paulista cresceu 5,9 pontos porcentuais, de 48,8% para 54,7%. Trata-se, inclusive, do maior porcentual para o primeiro mês do ano desde 2007, quando foi apurado endividamento entre 57,9% das famílias. Apesar dessa elevação na taxa de endividadas, houve variações favoráveis para o mercado.

A fatia de famílias paulistanas com contas em atraso, por exemplo, recuou de 15,3% para 14,8%.

Também apresentou queda a parcela que informou não ter condições financeiras suficientes para honrar suas dívidas: saindo de 5,5%, há um ano, para 4,7%, agora.

Segundo a área técnica da entidade, o acréscimo de 5,9 pontos porcentuais na proporção de famílias endividadas na cidade de São Paulo (212 mil) pode ter sido causado, entre outras razões, pela elevação dos índices inflacionários ao longo do ano, especialmente de alimentos, e pela desvalorização do real. Nessa linha de raciocínio, para manter o padrão de consumo - cuja lista de compras nos últimos anos passou a incluir também uma gama maior de produtos importados - as pessoas estariam recorrendo mais ao crédito, comprometendo assim boa parte da renda.

No comparativo mensal, por causa de variáveis sazonais, como as compras de presentes de Natal e de itens para as comemorações de fim de ano, uma ampliação do total de famílias endividadas já era algo esperado. De acordo com a pesquisa, entre dezembro de 2013 e janeiro de 2014 a taxa de endividados variou 1,8 ponto porcentual, de 52,9% para os atuais 54,7%. Caíram, no entanto, os porcentuais de famílias com dívidas ou contas em atraso (15,7% para 14,8%) e aquelas que não terão condições de pagar o que devem (5,4% para 4,7%). Ainda de dezembro para janeiro, o endividamento avançou mais entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, de 43,9% para 47%, do que entre as famílias que ganham até dez salários mínimos, de 56% para 57,4%.

O indicador da Fecomercio SP ainda revela que 40,1% das famílias endividadas possuem dívidas por mais de um ano, a contar da data desta pesquisa. Para 16,3% do total, a renda está comprometida com parcelas de empréstimos e financiamentos em períodos que variam de seis meses a um ano. Já para 22,3%, o endividamento existe entre três meses e meio ano. As demais (19,4%) têm dívidas que comprometerão o orçamento pelos próximos três meses ou menos.

O cartão de crédito continua sendo a principal fonte de dívida dos paulistanos. Mais de dois terços do total das famílias (69,5%) têm faturas para pagar. Em seguida estão os financiamentos de carro (19,6%), os carnês de crediário (17,1%), o crédito pessoal (10,6%), os financiamentos imobiliários (10,4%) e o cheque especial (5,4%). Para a entidade, o nível elevado de utilização de cartões de crédito é decorrente, em grande parte, pela expansão do consumo das classes C, D e E. Oferecidos ao público independentemente de vínculo com os bancos e sem necessidade de manter conta corrente, os cartões, hoje, possibilitam fácil parcelamento de compras no comércio em geral.

Tags: dívidas, economia, fecomércio, pesquisa, SP

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