Jornal do Brasil

Sábado, 23 de Agosto de 2014

Economia

Turbulência internacional não afetou fundamentos da dívida pública, diz Arno

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O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, disse nesta quarta-feira que a turbulência no sistema financeiro internacional, provocada pela retirada de estímulos nos países desenvolvidos, não afetou os fundamentos da dívida pública brasileira. Segundo ele, a maior parte do impacto da diminuição das injeções de dólares pelo Federal Reserve (Fed), Banco Central norte-americano, foi absorvida no ano passado.

“As mudanças nos Estados Unidos impactaram o mercado financeiro no ano passado. Em 2013, tivemos um momento delicado, mas o Brasil se saiu bem. Para 2014, grande parte do impacto sobre as treasuries [títulos do Tesouro norte-americano] já ocorreu. O importante é que os fundamentos do Brasil nos têm permitido transitar bem”, declarou o secretário ao comentar o Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública de 2014.

>> Dívida pública atinge recorde de R$ 2,12 trilhões em 2013

Segundo Augustin, a decisão do Banco Central da Turquia de elevar os juros básicos do país de 7,75% para 12% ao ano para conter a desvalorização da moeda local, a lira, terá poucos efeitos sobre a economia brasileira. “Não vou fazer nenhum comentário específico sobre a Turquia. Acho normal que um ou outro país passe por volatilidade no cenário atual. Isso não chega a afetar o Brasil de forma significativa”, disse.

Para o secretário, o fato de o governo ter conseguido melhorar a composição e aumentar o prazo da Dívida Pública Federal (DPF) em 2013 mostra que os investidores mantêm a confiança no Brasil e que a economia do país continua sólida. “O Tesouro se relaciona com o mercado no momento dos leilões [de títulos da dívida pública]. Os fundamentos [da economia brasileira] se mostram de forma objetiva, como a composição da dívida pública, que está próxima do nível ótimo”, argumentou.

O secretário também anunciou que, nos próximos meses, o Brasil pode lançar títulos em euro ou iene (moeda do Japão) no mercado internacional. Desde 2006, o Tesouro não emite papéis em euro. Os títulos vinculados ao iene não são lançados desde 2001. “Detectamos o interesse de empresários brasileiros em captar recursos no exterior em outras moedas além do dólar. Então podemos entrar no mercado para ajudar essas companhias”, explicou.

Segundo Augustin, o Tesouro não lança mais títulos no exterior para captar recursos, mas para obter as menores taxas possíveis e fornecer um referencial para as empresas que lançarem papéis em outros países. No ano passado, o governo fez duas emissões no exterior. Em maio, captou US$ 800 milhões com juros de 2,75% ao ano por meio de papéis com vencimento em 2023.

Tags: dívida, economia, nacional, pública, tesouro

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