Jornal do Brasil

Quinta-feira, 17 de Abril de 2014

Economia

Evasão Fiscal: autoridades francesas investigam os arquivos suíços do HSBC

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O jornal francês Le Monde publicou na terça-feira (28/1) que não há apenas uma listagem do HSBC, mas duas. Depois de uma longa investigação, o mundo conheceu na segunda-feira (27) o que há por detrás de um negócio incrível que assolou as relações franco-suíças por cinco anos, agora dá calafrios ao estabelecimento francês.

No dia 26 de dezembro de 2008, o computador de Hervé Falciani, ex-funcionário do banco suiço, gravava uma relação com os nomes de investigadores fiscais franceses, em quatro DVDs contendo dezenas de gigabytes de dados brutos, criptografados coletados durante longas noites de trabalho em Genebra, e em dois anos: 2005 e 2006. Isso faz parte de um capítilo onde o HSBC é suspeito de ter tentado vender os dados a bancos libaneses. A Direção Nacional de Investigações Fiscais (DNEF), com o apoio da Direção-Geral da Segurança Externa (DGSE), reconstrói, em seguida, uma lista contendo, finalmente, 2.846 identidades dos potenciais fraudadores. Em 20 de janeiro de 2009, o tribunal entrou com uma ação. Ele apreendeu computadores de Hervé Falciani, para investigar os dados brutos. A segunda lista é estabelecida pela polícia, com 2.956 sobrenomes de suspeitos. Uma investigação preliminar é ordenada, para o desgosto do suíço. Haverá armadilhas, freios, tentativas de obstruir o trabalho dos investigadores. 

O Le Monde teve acesso a ambas as listas. Segundo o veículo, as identidades são muitas vezes as mesmas, e, cruzando as informações, os perfis aparecem. Eles são comerciantes, cirurgiões, advogados, atores, cantores, esportistas. Um material valioso para os investigadores, por permitir estabelecer uma tipologia dos titulares franceses documentados nas contas suíças. 

Na maioria dos casos, os contribuintes faltosos regularizaram a sua situação. Sessenta personalidades aparecem nas listagem. O jornal francês tem buscado contato com essas personalidades. A primeira categoria de titulares tem contas em perfeita ordem. Por exemplo, os residentes franceses na Suiça. Este é o caso do jogador de futebol Christian Karembeu, de  François Picart, um dos fundadores da cadeia de restaurantes Buffalo Grill, ou Alain Afflelou. No entanto, os investigadores estão questionando um ex-companheiro da equipe de Karembeu, na França, também campeão do mundo em 1998, e que detém 1,6 milhões no HSBC, bem como dois gigantes do cinema francês, uma estrela comediante, uma estrela do canto, uma ex-Miss da França. E, finalmente, um senador. Eles não responderam aos pedidos da Justiça.

O cineasta Cédric Klapisch está na lista. "A Receita Federal entrou em contato comigo quando comecei a regularizar a minha situação. Meu pai vive na Suíça, ele abriu uma conta em Genebra, não havia uma grande quantidade de dinheiro. Eu não sabia que era ilegal. Eu só regularizei em 2012, e eu tenho mais dinheiro lá", disse ele. O escritor e psicanalista Gérard Miller compartilhou uma experiência semelhante. Já o caso do chef francês Paul Bocuse é bem diferente. Ele tinha uma conta caucionada de € 2,2 milhões.

Em contato com o HSBC, o Le Monde destacou que o banco garante que luta contra a evasão fiscal e vai fazer cumprir as leis. Mas as investigações pelos juízes Renaud Van Ruymbeke e Charlotte Bilger sugerem o contrário. Investigadores apreenderam um relatórios de visitas dos gerentes do HSBC, onde davam conselhos aos seus clientes. Segundo o procurador de Paris, François Molins, que recebeu o material do Le Monde, "não há nenhuma evidência que sugere que os arquivos foram manipulados". Há um protesto das autoridades suíças que argumentam que houve uma falsificação do arquivo. A polícia, em um relatório datado de primeiro de agosto de 2013, afirma conduzirá a investigação do sistema criado pelo HSBC, na tentativa de descobrir desvios de impostos provindos de tributação da poupança aplicada em 2005. Segundo os investigadores, pelos relatórios de visitas a 239 clientes franceses, o banco propõe ignorar várias medidas a fim de escapar de tributação. O banco oferece seus serviços para a incorporação da empresa.

Os juízes já dispõem de provas específicas. Como o advogado parisiense Lawrence Azoulai. Ele queria regularizar seus ativos na Suíça, quase um milhão, mas enfrentou a hostilidade de HSBC. Ele afirma que um gerente tentou detê-lo no processo de regularização. "Ele me disse que sofreram um roubo de documentos e estavam tentando regularizar a minha situação, mas eu iria chamar a atenção das autoridades fiscais francesas. Em outras palavras, ele tentou me fazer medo", contou. 

Tags: banco, dados, investidores, listagem, vender

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