Jornal do Brasil

Sábado, 20 de Dezembro de 2014

Economia

Luciano Coutinho prevê que os bancos públicos devem perder movimento

Jornal do Brasil

O jornal espanhol El País publicou na segunda-feira (27/1) uma entrevista com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), Luciano Coutinho. Com o título "Os bancos públicos devem perder movimento", a entrevista classifica Coutinho como uma das personalidades mais influentes do Brasil e membro de um grupo financeiro que mais tem peso na América Latina. 

O jornal informa que Coutinho está a frente do BNDES desde o ano de 2007, um dos bancos de desenvolvimento mais influentes do mundo, com ativos de 232 milhões de euros, mais do dobro do tamanho do Banco Popular. O BNDES é a principal entidade que investe a longo prazo no Brasil, favorecendo a mais de 20 anos na infra-estrutura de aeroportos, portos, rodovias e ferrovias, além das etapas da Copa do Mundo. 

Os bancos privados que investem no setor tem como horizonte a instabilidade da inflação e as taxas de juros de mercado (sem títulos de longo prazo), o que torna as negociações arriscadas. Do ponto de vista do BNDES, Coutinho tem uma vista privilegiada da economia brasileira e da América Latina. O economista tem uma relação estável com a Espanha por 10 anos.

Coutinho disse ao jornal que a economia espanhola está caminhando muito lentamente, mais do que na crise dos anos 60. Não podia desvalorizar a sua moeda, que foi conquistada a duros sacrifícios. Quanto ao Brasil, ele comentou que o PIB do país, em 2012,  foi de 1%, e 2013 ainda não se conhece os dados, mas ele acho que será perto de 2,5%. "Tenha em mente que 2012 foi um ano de baixo crescimento, porque a Europa estava à beira de um desastre total, com a dissolução do euro e que atingiu o Brasil. Há também o choque da mudança climática agrícola e a economia cresceu ligeiramente. O desafio é controlar a taxa de câmbio real e a inflação. No final de 2014, a situação será muito melhor: o real pode cair para 2,45 em relação ao dólar (um ano atrás era 2) e se o governo atingir a sua meta, não deve aumentar a inflação. Ela deve estar entre 4,5% e 6%. Agora está em 5,9%", disse Coutinho.

O presidente do BNDES citou os investimentos feitos pelo governo e pelo banco, como o leilão das principais infra-estrutura logística, as cinco auto-estradas, aeroportos e as duas plantas de energia renovável. Segundo Coutinho, a intenção banco não é o crescimento, mas moderar a expansão e a participação no mercado financeiro privado em projetos dessa natureza. Os bancos privados, na avaliação do economista, tiveram uma forte expansão no período de 2006 a 2010, e sofreu alta inadimplência. Pela sua previsão, os bancos de crédito devem expandir e compartilhar financiamento com o BNDES. "A verdade é que a taxa de inadimplência dos bancos públicos é baixa e é mantida sob controle. O BNDES é o mais baixo, e de outras entidades públicas também está abaixo", comentou ele.

Coutinho acredita que dentro de cinco anos o mercado estará com capacidade para financiar os seus investimentos, evitando sobrecarregar os bancos. Após o fim da expansão do dólar, será possível aos bancos privados participarem de financiamento de 25 projetos de grandes hidrelétricas e novas ferrovias. Perguntado sobre o percentual de mercado que o BNDES tem em períodos normais, Coutinho disse que no ano de 2011, eram 35% do financiamento, já em 2015 deve baixar a taxa para 23%. O mercado privado deve crescer para 25%.

Quantos os setores que devem ser bem sucedido em 2014, Luciano Coutinho disse que a chave do sucesso está nas concessões de infra-estrutura: aeroportos, portos, caminhos de ferro, o que causa um forte crescimento na área de logística. O setor de energia deve crescer muito. Coutinho está otimista quanto as previsões para a economia brasileira este ano. O mercado sugere que o PIB pode subir de 2%, mas ele acredita que o país pode chegar a 2,5% ou até 3%. E com a inflação dentro do intervalo de 4,5% a 6%.

Luciano Coutinho comentou sobre os investimentos para a Copa do Mundo. Ele disse que as obras estão quase finalizadas. Ele garantiu que os novos estádios estão quase prontos, inclusive a Arena Corinthians, onde aconteceu o acidente em dezembro. "O Brasil é um país onde a indústria do futebol é muito importante e os estádios também estão rodeados por equipamentos urbanos de mobilidade, acesso, bares, hotéis, que são um legado para o futuro", comentou Coutinho.

O El País perguntou a Coutinho se a presidente Dilma Rousseff vencer a próxima eleição e pedir para ele continuar no cargo, se ele aceitaria. "Eu não vou responder, porque meu gabinete é de confiança e eu tenho que devolver essa confiança, colocando o meu disponível", respondeu o presidente do BNDES. Ele comentou ainda quanto a atuação do banco Santander no Brasil, esclarecendo que o Santander Global teve que passar por um período de recapitalização e conseguiu superar as dificuldades. Investimento no país tem sido bastante rentável para o grupo e trabalha em estreita colaboração com o BNDES. "Temos um diálogo muito frutífero com a liderança do Santander Brasil e espero que um dos bancos que nos ajudam em grandes investimentos", destacou.

Tags: BNDES, Copa, eleição, investimentos, rousseff

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