Jornal do Brasil

Terça-feira, 29 de Julho de 2014

Economia

'NYT': desvalorização do peso argentino cria demores na América Latina

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As cidades da Argentina ainda estão sentindo os efeitos da greve dos policiais que eclodiu no mês passado, contra os baixos salários numa inflação galopante. Em seguida, vieram os apagões e a queda da moeda, na semana passada, no maior declínio desde o ano de 2002, quando houve o colapso econômico. O jornal americano The New York Times publica nesta segunda-feira (27/1), na reportagem entitulada "Desvalorização do peso argentino cria um arrepio pela América Latina", que este quadro está gerando temores da Argentina mergulhar numa grande crise financeira em breve. 

A reportagem destaca que a Bolsa de Nova York, na sexta-feira passada (24), fechou a pior semana desde junho de 2012. O texto diz que a Argentina tornou-se um símbolo das tensões econômicas nos países em desenvolvimento. O medo cresce em torno das demandas por commodities, um elemento central na economia argentina, que está enfraquecendo na China, por exemplo. Ao mesmo tempo, a perspectiva de melhores retornos nos Estados Unidos está atraindo dinheiro para fora do mundo em desenvolvimento. 

No Brasil, a indústria automobilística está se preparando para os problemas na Argentina, um dos maiores mercados de exportação do país. Os balanços financeiros da semana chamaram a atenção para os desafios específicos de economias mais vulneráveis da América Latina. Na Venezuela, o governo anunciou na semana passada que a desvalorização parcial deve levar a novos controles cambiais. Na sexta-feira (24), os agentes de viagens disseram que várias companhias aéreas ou tinham parado as vendas de bilhetes ao longo dos últimos dias, ou alcançaram um número muito limitado. O governo venezuelano também colocou novos limites sobre os dólares para os cidadãos que viajam tendo como destino outros países. 

Já na Argentina, segundo a matéria do NYT, os gastos sociais tem sido generosos depois da crise em 2002, como o congelamento das taxas de energia e os pagamentos à famílias pobres pelo governo, o que aumentou o déficit do país. A economia da Argentina deve crescer em 2,8% em 2014, pelas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas o crescimento caiu nos últimos anos, e a fuga de capitais tem sido um problema de longa data. Considerando que o governo nacionalizou empresas como YPF, maior empresa de petróleo do país, alguns investidores têm retrocedido, e muitas pessoas têm investindo fora do país.

Segundo o NYT, com a queda de quase 20% do peso no decorrer da semana passada, o governo argentino revelou que vai permitir as pessoas comprarem dólares com maior facilidade. "O governo está tentando encontrar uma saída da confusão que entrou. Mas não há muito mais a fazer, como combater a inflação", disse Fausto Spotorno, economista da empresa Orlando Ferreres y Asociados, em Buenos Aires. 

O ministro da Economia, Axel Kicillof, atacou analistas financeiros que sustentaram a tese de que o peso pode enfraquecer ainda mais, chamando-os de "grandes mentirosos." Em comentário a uma estação de rádio argentina, o ministro atribuiu a forte queda na moeda a um "ataque especulativo" posto em movimento pela gigante do petróleo Royal Dutch Shell.

Tags: Argentina, colapso, Desvalorização, econômico, MOEDA

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