Jornal do Brasil

Domingo, 21 de Dezembro de 2014

Economia

PIB chinês menor não afeta exportações brasileiras

Especialistas afirmam que essa redução era esperada

Jornal do BrasilAmanda Rocha*

A desaceleração da economia da China não deve afetar os laços comerciais do país com o Brasil e a diminuição do ritmo já era esperada pelo governo chinês. “Não há expectativa de um impacto negativo para o Brasil. O baixo crescimento é, em grande parte, programado pela China. Não há uma relação direta entre isso e as importações e exportações”, diz Javier Vadell, membro da Associação Brasileira de Relações Internacionais (Abri).

A economia chinesa cresceu 7,7% em 2013, de acordo com dados do Escritório Nacional de Estatísticas (Ene) e esse resultado é praticamente igual ao de 2012, quando o PIB do país ficou em 7,8%. Os números são os menores resultados para a China em 14 anos. No entanto, de acordo com Javier, as importações chinesas vão continuar e, inclusive, em uma escala importante já que os investimentos do país nos últimos anos são intensos e crescem cada vez mais. O Brasil será ainda menos afetado por ser um dos seus principais parceiros comerciais. No entanto, Javier alerta para a disparidade entre as exportações brasileiras e chinesas.

“Observando o volume das exportações brasileiras para a China, percebe-se que são poucos produtos e a maioria é commodity. Isso é um fato preocupante porque indica uma especialização na produção. Enquanto exportamos um produto barato, importamos deles um manufaturado. Isso pode afetar a economia brasileira”, explica.

Ele também ressalta que a China vem diversificando muito seus parceiros, o que pode afetar o Brasil. “Se os chineses pararem de comprar soja ou ferro do Brasil, o impacto para a nossa economia é grande. No entanto, em curto prazo, nada vai mudar”, diz.

Gilmar Masiero, professor de Economia na USP e coordenador do Programa de Estudos Asiáticos (ProÁsia), também acredita que nada muda. Para ele, o “milagre econômico oriental” tem um limite e ele chegou com a crise global, mas exatamente por isso os países emergentes estão agora nos holofotes, já que a Europa e os Estados Unidos passaram a comprar menos.

“O Brasil continua exportando, em valores absolutos, a sua capacidade produtiva. Ocorreu um ‘boom’ por conta da valorização das commodities nas demandas chinesas e, como a demanda caiu, o preço também caiu. Mas o Brasil não está tendo grande variação em sua pauta exportadora em termos de pesos absolutos”, conta.

*Do programa de estágio do Jornal do Brasil

Tags: brasil, cHINA, comércio, exportação, importação

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