Jornal do Brasil

Segunda-feira, 21 de Abril de 2014

Economia

Dilma leva uma economia ainda atraente a Davos, acreditam economistas

Discurso da presidente no Fórum Econômico é aguardado com expectativa pelo mercado

Jornal do BrasilPamela Mascarenhas

A presidente Dilma Rousseff vai discursar pela primeira vez no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, na próxima sexta-feira (24/01). Com a confirmação da presença de sua presença, e também do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vieram as especulações sobre os desafios de Dilma para convencer o mercado estrangeiro. Enquanto alguns falam da promoção de uma economia sofrida e uma reconquista de capital estrangeiro, outros reforçam que o país ainda é bastante atraente para o investimento direto, que é o que mais importa para o país. Tudo depende, contudo, de como a presidente vai guiar seu discurso, que é bastante aguardado no evento.

A 40ª edição do encontro reúne mais de 2,5 mil delegados de todo o planeta, 40 chefes de Estado e de governo, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, a diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, além de ministros de diversas nações.  

Luiz Carlos Prado, professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lembra que existem dois tipos de investimento estrangeiro e que o mais importante deles, o de longo prazo, não é tão afetado por questões conjunturais da economia brasileira. "O Brasil ainda é muito lucrativo para o investimento de longo prazo, que é o que nos interessa. O humor do mercado, que afeta o investimento de portfólio, de curto prazo, não é tão relevante para o caso brasileiro".

O Brasil tem passado por algumas dificuldades e o desempenho do ano de 2013 não foi tão bom, pondera, mas está longe de uma situação problemática, e ainda está muito à frente de países importantes. Prado acredita que 2014 deve continuar com uma desvalorização do real, que deve contribuir para melhoria nas contas externas e, por outro lado, afetar a inflação, que deve ficar entre 5,5% e 6%, acredita. Prado também projeta uma melhoria no resultado da balança de pagamentos.

"A presença do país [no Fórum Econômico], na atual conjuntura, é relevante. Lula, em suas participações no Fórum, era carismático, o que foi importante no passado. O Brasil, entre os emergentes, tem um papel importante. Não há dúvida de que é conveniente a participação da presidente. O resultado depende do que ela vai falar, da dinâmica de sua participação no evento", declarou Prado ao JB

Antonio Carlos Macedo e Silva, professor de Economia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), concorda com as declarações de Francisco Lopes, ex-presidente do Banco Central, que em entrevista ao Valor Econômico disse que o pessimismo do mercado é exagerado. Mesmo desprovido de bons fundamentos, porém, o pessimismo do mercado acaba ferindo a imagem do país. Um eventual rebaixamento do rating, então, seria uma má notícia, ainda que não uma catástrofe, explica Macedo.

"Acredito que a participação da presidente no Fórum Econômico seja importante. Cabe a ela mostrar que o Brasil conseguirá explorar novas fontes de crescimento (como o investimento público e privado em infraestrutura) sem comprometer a estabilidade macroeconômica e sem reverter a redução da desigualdade lograda na última década", disse Macedo. 

Roberto Simonard, professor de macroeconomia da ESPM Rio, por sua vez, destaca que algumas escolhas do governo brasileiro têm afetado a imagem do país, como a "contabilidade criativa". O El País ressalta em reportagem desta terça-feira (21/01) que o Brasil ainda continua entre os 10 principais países em investimento direto estrangeiro. Simonard alerta, no entanto, que mesmo que o país permaneça entre os 10 principais, já não está mais no "topo da lista". 

>> Brasil está no ranking dos países mais atrativos para investimento estrangeiro

"O Brasil estava lá na ponta, mas seu desempenho nos últimos três anos não tem sido muito legal. Tem acontecido algumas intervenções que não têm sido muito bem vistas. Em Davos, Dilma vai estar em meio a pessoas que entendem [muito de economia]. Ela está sentindo que as expectativas em relação ao Brasil estão um tanto negativas", declarou Simonard.

Simonard lembra que as contas de 2013 só fecharam, de "maneira razoável", porque entrou "dinheiro extra", como dos leilões e do Refis da crise, com o qual não se pode contar sempre, e que deixa o investidor inseguro. E um dos primeiros efeitos que essa incerteza causa, diz, é a retração dos investimentos. "A Dilma vai à Suíça para tentar reverter essa expectativa. Agora, se ela vai conseguir reverter, é outra história."

Tags: davos, dilma, econômico, fórum, investimento

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