Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Economia

Empresário brasileiro está no ranking dos mais ricos do mundo, segundo a Forbes

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A edição mais recente da revista americana Forbes comenta que um grupo empresarial localizado em Washington e que tem know How na busca de bons negócios pelo mundo, o Carlyle Group, despertou interesse na empresa brasileira de cosméticos, O Boticário. A reportagem esclarece que o Carlyle é presidido pelo bilionário William Conway Jr, detentor de um capital de 180 bilhões de dólares. Ele foi alertado pelos seus executivos, em 2011, do sucesso do grupo Boticário no mercado mundial de cosméticos e resolveu conhecer de perto a empresa.    

A Forbes cita que a revista brasileira Exame divulgou a viagem de Conway ao Brasil, mas precisamente para a cidade São José dos Pinhais, localizada no estado do Paraná, sul do país, onde fica a sede do Boticário. Conway tinha um foco: convencer aos proprietários do Boticário, Miguel Krigsner, 63 anos, e Artur Grynbaum, 44 anos, a vender os seus negócios. Porém, após uma reunião que durou mais de duas horas, Conway mudou de ideia e ainda aconselhou os empresários brasileiros a nunca vender a empresa. 

O texto da Forbes considera que o conselho de Conway valeu muito a pena, pois Krigsner entrará este ano no roll dos empresários mais ricos do mundo, com uma fortuna bilionária, graças a sua atuação no grupo Boticário. Segundo a revista, Krigsner acumula um patrimônio líquido de 2,7 bilhões de dólares, detendo 80% da empresa. Já o seu sócio Grynbaum, que detem os outros 20% das ações, possui um patrimônio líquido estimado em 690 milhões de dólares.  Krigsner não quis comentar as estimativas da Forbes.

A reportagem ressalta que Conway ficou impressionado com a indústria da beleza no Brasil. A venda de cosméticos no país atingiu a marca de 43 bilhões de dólares no ano de 2011, registrando um crescimento de 142% no período de cinco anos. Assim, o Brasil passou o Japão no ranking mundial do setor, alcançando a segunda colocação no mercado global e em poucos anos, de acordo com um estudo feito para empresa Euromonitor.

Com as avaliações positivas de especialistas estrangeiros e a expansão da indústria da beleza no Brasil tem chamado a atenção de investidores em todo o mundo. A empresa francesa Sephora, do grupo LVMH, líder em produtos de luxo no mundo, abriu a sua primeira loja no Brasil em 2013, anunciou que este negócio foi o mais bem sucedido da sua história, segundo uma das suas executivas na América Latina. Paula Larroque, vice-presidente sênior da Sephora na América Latina, disse que os brasileiros são viciados em beleza e a empresa observa um grande potencial no país. 

Os percentuais apresentados na reportagem da Forbes dão conta de que o Brasil representa apenas 3% da população mundial, mas tem um consumo global de 12% de desodorante, o mais alto do mundo. Além disso, os brasileiros gostam de gastar com perfumes importados. Gastos per capita do brasileiro com higiene e beleza é de cerca de 260 dólares por ano. 

É neste cenário que o Boticário está lucrando, destaca a Forbes. O grupo tem uma rede com 3.600 lojas espalhadas por todo o país, movimentando bilhões de dólares. Em 2013, seu faturamento estimado com vendas de varejo foi de 3,4 bilhões de dólares, 20% acima do faturamento de 2012. Desde o ano de 2002, o Boticário cresceu oito vezes em receita anual. A holding Calamo Distribuidora de Produtos de Beleza S.A, que administra o  Boticário, registrou vendas de 933 mil dólares em 2012, com um resultado líquido de 212 mil dólares, fora as receitas com os franqueados.

A Forbes conta que o Boticário foi criada por Krigsner em 1977, passou por turbulências financeiras na década de 80 e início dos anos 90, para depois assumir a posição de uma das maiores empresas do setor no mundo. E destaca que Krigsner abriu o seu negócio com um capital de 3 mil dólares, emprestados por parentes. Humildemente, o empresário mantém até hoje uma das primeiras farmácias do grupo na cidade de Curitiba, no Paraná. 

A industria de cosmético natural, segundo a Forbes, se expandiu rapidamente na década de 80, no Brasil, impulsionado por barreiras às importações, mas sofreu uma queda no início da década de 90, quando o país abriu as suas fronteiras para os produtos importados. A matéria apresenta ainda como foi o crescimento da Boticário e o aumento das suas vendas a partir do mercado online. A intenção da empresa era atingir o público de classe média, que atualmente representa a classe de consumo mais dinâmica do país.  

Tags: boticário, capital, cosméticos, global, industria

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