Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Economia

Economist: inflação é o "bicho-papão" dos brasileiros

Jornal do Brasil

O jornal The Economist, edição desta quinta-feira (16/1), considera que o ano não começou bem para a presidente Dilma Rousseff. Na reportagem com o título "O bicho-papão do Brasil", o veículo britânico avalia que o ano de 2013 terminou com o dólar um terço mais fraco do que no período em que a presidente do Brasil tomou posse, há três anos. As vendas de carros caíram pela primeira vez em uma década. E dólares fluíram para fora do país do mais do que em qualquer momento, desde 2002.

No dia 12 de janeiro, foi anunciado que a inflação atingiu 0,92% em dezembro, sendo este o maior aumento mensal em dez anos. Isso empurrou o valor anual de 5,91%, acima das expectativas do mercado. O salto levou o Banco Central a elevar a taxa de juros em 15 de janeiro, ao contrário do que previam os analistas, que esperavam a média de um quarto de ponto percentual, mas o valor registrado foi de meio ponto percentual, indo para 10,5%.

O Economist afirma que a inflação é "um bicho-papão brasileiro". Os custos econômicos são claros: a alta inflação atinge tanto os pobres quanto as classes médias endividados, a partir das elevações das taxas de juros. Mas a questão também é política, conclui o jornal. A maioria dos adultos lembram da era hiperinflacionária da década de 1990, quando os lojistas ajustavam os preços a cada manhã e tarde.  

O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, atribuiu o fenômeno ao dólar forte e aos altos preços das commodities. A reportagem cita o reajuste de preços da Petrobras no mês de novembro, que desencadeou uma movimentação no mercado brasileiro. Assim como os gêneros alimentícios mais caros nas prateleiras, mesmo com os preços no atacado reduzindo ligeiramente. Os economistas também apontaram ao veículo britânico outros fatores observados no momento: o crédito fácil, o mercado de trabalho apertado e improdutivo e os desperdícios com os gastos públicos.

Economist destaca que Dilma Rousseff vem fazendo o que pode para manter os preços baixos. Em 2012, o governo havia cortado o compromisso de não autorizar o aumento de combustível. No ano passado, o governo se viu pressionado pelo setor de transporte público e rever os preços das tarifas - o que provocou enormes protestos em todo o país no mês de junho -, mas a medida foi negada e ainda houve a redução dos impostos sobre os alimentos básicos, além de ser adiado um novo anúncio de aumento de impostos sobre bebidas, que aconteceria em outubro. A companhia estatal de eletricidade cortou seus gastos em 16%, o maior em 20 anos. Segundo o jornal Estado de São Paulo , o subsídio foi na ordem de 29 bilhões de reais (US $ 12 bilhões) em 2013.

O Economist ouviu um executivo de um banco de investimento, Tony Volpon, que disse que se não fossem feitos tais ajustes, a inflação certamente teria excedido 6,5% do limite superior do Banco Central. Os preços monitorados aumentaram 1,5%, mas livremente foi observada uma elevação de 7,3%. De acordo com o jornal britânico, esta discrepância é insustentável. "Se o governo não permitir que as empresas controladas pelo estado ajustem os seus preços, eles vão ser impulsionados para cima. Também não se pode manter este apoio sem causar danos irreparáveis para as finanças públicas, já fragilizadas", avaliou Volpon.

As medidas inflacionárias surtiram efeito e ajudaram o governo a cumprir a sua promessa de deter a inflação superando o 5,84% registrado em 2012. Mas elas deixaram pouco espaço para a presidente Dilma Rousseff absorver possíveis choques de preços durante este ano. Hernon do Carmo, da Universidade de São Paulo, disse ao Economist que, na sua opinião, a inflação deve alcançar a meta do Banco Central. Já Volpon calcula que a taxa de juros deve atingir 10,75%. Com os preços elevados e as taxas de juros parecidas de quando Dilma tomou posse, em 2011, depois de cair para um mínimo histórico de 7,25% por seis meses em 2012, os eleitores devem ter o mesmo sentimento da época em que votaram na presidente. 

Mesmo que Dilma continue como favorita na eleição presidencial de outubro, os aumentos de preços podem prejudicar as chances do Partido dos Trabalhadores (PT) nas eleições parlamentares e estaduais. Políticos da oposição estão observando este processo.

Tags: Eleições, inflação, Juros, outubro, rousseff, taxas

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