Jornal do Brasil

Sábado, 25 de Outubro de 2014

Economia

Elevação da taxa de juros pelo Copom gera opiniões diversas entre economistas

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou a taxa de juros para 10,5% ao ano, sem viés, na última quarta-feira (15/01). O reajuste foi de 0,5 ponto percentual e o sétimo aumento seguido, desde abril do ano passado. O ex-ministro da Fazenda e ex-presidente do Banco Central, Ernane Galvêas, após comentar sobre o exagero na preocupação com a inflação no Brasil, declarou que o que não se justificava era justamente o Banco Central imaginar que pode combatê-la refreando consumo e investimentos com elevação da taxa Selic.

 “A elevação da Selic agrava o déficit fiscal, uma das principais causas da inflação. Daí que se pode afirmar que o BC também contribui para a inflação. Seria, pois, um grave equívoco se a próxima reunião do Copom decidir pela elevação da taxa básica de juros”, declarou antes do anúncio.

Pedro Rossi, professor doutor do Instituto de Economia da Unicamp, acredita que as coisas estão muito turvas neste início de ano e que se criou um ambiente muito politizado, onde predominam análises pessimistas. O Banco Central, então, vem sempre respondendo às pressões do mercado financeiro e, com uma inflação um pouco acima do esperado, respondeu dando um reajuste de 0,5 ponto percentual. Para ele, trata-se de apenas uma das formas de enfrentar o problema, porém uma forma muito errada.

“A eficácia de instrumento de juros é muito baixa. Tenta mais apaziguar os ânimos do mercado financeiro, e tenta atrair capital de curto prazo para regular a taxa de câmbio. Eu acho que é totalmente equivocado. Eu acho ruim esse ciclo de alta dos juros, que já foi muito além do que precisava ir. O BC deveria usar outros instrumentos com relação à inflação, que não a taxa de juros”, sugere.

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Rossi explica que, em um cenário internacional ainda de crise, combinada com a retirada de estímulos e taxa de juros próxima de zero nos Estados Unidos, o Brasil se torna um lugar de capital especulativo. Não há motivo então, ressalta, para o Brasil ter uma taxa de 10,5% em um “mundo em crise”. Tratar da inflação só com o juros, alerta, é uma visão retrógrada e negativa.

Ernane Galvêas explica que, como praticamente já atingimos o limite da carga tributária (36% do PIB), só resta ao Governo cortar os gastos de custeio para compensar a descontração das tarifas públicas. Mas isso criaria tantos atritos políticos que é possível considerar uma hipótese inviável, em ano de eleição presidencial.

O professor de macroeconomia da ESPM Rio, Roberto Simonard, comenta que o Copom está preocupado com a inflação, e, como estamos vindo de um ano em que a inflação não se comportou muito bem, apesar de não ter sido terrível, o Copom em sua primeira reunião já tentou tomar medidas preventivas. Para ele, voltar a ter taxa superior a 10% no Brasil é negativo, mas demostra que a economia brasileira continua necessitando disso, devido às persistência das “ineficiências econômicas do país”.

Alexandre Espírito Santo, economista da Simplific Pavarini e professor do Ibmec-RJ, por sua vez, chama a atenção para a necessidade de elevação da taxa, e projeta que ela deve subir ainda mais, chegando entre 10,75% ou 11% neste ano. “É aquela história, se você tem que tomar um remédio, quando tem mais de um remédio. Um remédio seria o governo cortar gastos, aí o Banco Central não precisaria usar tanto da dose do remédio que tem efeito colateral”,

Com a elevação de 0,5 ponto percentual na meta da taxa básica de juros da economia, para 10,5% ao ano, o Brasil manteve o topo do ranking dos maiores juros do mundo. Segundo a consultoria MoneYou, responsável pelo levantamento, o Brasil tem o maior juro real (descontada a inflação projetada para 12 meses) dentre as 40 maiores economias do planeta.

Tags: banco, central, copom, economistas, Juros

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