Jornal do Brasil

Domingo, 23 de Novembro de 2014

Economia

China se torna primeira potência comercial mundial

Agência IN

As trocas comerciais da China ultrapassaram pela primeira vez na história os 4 trilhões de dólares em 2013, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, o que a torna a maior potência comercial global.

Em todo o ano passado, as exportações da segunda maior economia mundial cresceram 7,9%, para US$ 2,2 trilhões, e as importações 7,3%, para 1,9 trilhão, de acordo com dados do Serviço Alfandegário chinês.

O superávit comercial foi de 260 bilhões de dólares, 12,8% a mais do que no ano anterior.No total, os intercâmbios comerciais aumentaram para 4,16 trilhões de dólares, um aumento de 7,6% em relação ao ano anterior, mas abaixo da meta de 8% do governo.

No entanto, estes são os melhores resultados da história e confirmam um giro geoeconômico, tornando a China a maior potência comercial do mundo de bens, excluindo os serviços.

De acordo com indicadores de fevereiro passado, a China já teria alcançado a posição dos Estados Unidos em 2013, mas as alfândegas disseram que, devido ao uso de diferentes métodos para calcular, a mudança ocorreu pela primeira vez em 2013, embora os dados finais americanos ainda não tenham sido publicados. "É muito provável que a China tenha ultrapassado os Estados Unidos para se tornar a maior potência comercial de bens ainda em 2013, pela primeira vez", declarou o porta-voz do Serviço Alfandegário, Zheng Yuesheng.

A União Europeia (UE) confirmou a sua posição de maior parceira comercial da China, seguida por Estados Unidos, pelos países da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Hong Kong e Japão.Somente UE, Estados Unidos e Japão absorvem 33,5% do comércio exterior da China, embora as exportações para estes mercados tenham diminuído 1,7% no ano passado, refletindo o aumento do comércio com as economias emergentes.

Da mesma forma, o comércio entre a China e a América Latina e o Caribe multiplicou entre 2000 e 2012, com um saldo negativo para a região, segundo a CEPAL. "Em geral, as condições para o crescimento do comércio em 2014 parecem melhores do que em 2013", disse Zheng, citando melhorias na demanda internacional e a situação econômica interna.No entanto, em dezembro, o superávit comercial da China caiu 17,4% em relação ao mesmo mês de 2012, para 25,6 bilhões.

Ele também foi muito inferior ao registrado em novembro, chegando a 33,8 bilhões, enquanto as exportações subiram 4,3% em dezembro, para 207,7 bilhões.O economista do banco francês Société Générale em Hong Kong, Yao Wei, considerou que o melhor resultado das importações é um sinal positivo.

A economia do gigante asiático desacelerou no primeiro semestre do ano, mas começou a se recuperar no segundo semestre.Um relatório do governo do mês passado, citado pela imprensa, fala de um crescimento de 7,6% do PIB em 2013, abaixo dos 7,7% em 2012, que foi o pior resultado em 13 anos.

Wendy Chen, economista do banco Nomura International, com sede em Xangai, disse à AFP que "o crescimento econômico atingiu um pico no terceiro trimestre, antes de cair no quarto". "É possível que a tendência siga em queda no primeiro semestre do ano", alertou.

O presidente Xi Jinping - que tomou posse em março, depois de se tornar o chefe do Partido Comunista em novembro de 2012 - pretende transformar a economia para que a demanda doméstica seja o principal pilar do crescimento, em vez do investimento público.A moeda chinesa, o yuan, voltou a valorizar a mais de 3% em relação ao dólar no ano passado, alcançando recordes desde que Pequim lançou seu moderno mercado cambial em 1994.

A valorização acontece apesar das preocupações sobre a situação econômica, embora pareça que a pressão americana tenha surtido efeito.

Tags: . comércio, chineses, dados, economia, potência

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