Jornal do Brasil

Sexta-feira, 31 de Outubro de 2014

Economia

Times: 2014 é o ano de agir ou quebrar para a China

Jornal do Brasil

A revista americana Times publica nesta edição um artigo do jornalista norte-americano Fareed Zakaria, onde ele faz previsões sobre a China em 2014. Apesar de ser o "ano do cavalo", Zakaria afirma que "para o resto de nós, ele pode vir a ser o ano da China". O jornalista destaca que o país enfrenta uma virada histórica - "ou ele vai renovar seu sistema econômico, lidar com alguns de seus crescentes problemas ambientais e sociais, e constituir-se por mais uma década de crescimento e de estabilidade que vai garantir que se torne a maior economia do mundo, ou 2014 será o ano em que o grande milagre chinês atinge uma grave colisão estrada - com conseqüências sísmicas".

Segundo Zakaria, embora a China tenha enfrentado enormes desafios, criando uma economia de mercado a partir do zero e construindo uma infraestrutura de classe mundial, urbanização de centenas de milhões de camponeses, Pequim tem ajustado as suas políticas ao longo do caminho e continuou a crescer a um ritmo sem precedentes. 

Porém, agora o país construiu desequilíbrios econômicos durante anos, que não devem se sustentar por muito tempo. Ele afirma que o problema básico é que há quase uma década, o crescimento econômico da China é alimentado por crédito fácil e os gastos do governo, por sinal um clássico problema de países em desenvolvimento. "Mesmo antes da crise financeira de 2008, altos funcionários de Pequim reconheceram que a economia foi, em antigas palavras do premiê Wen Jiabao, 'instável, desequilibrada, descoordenada e insustentável'. O governo precisava parar o fluxo de dinheiro fácil de infraestrutura, empresas estatais e do setor de habitação. Mas essa decisão foi difícil de implementar, uma vez que o crescimento era dependente de dinheiro fácil. Além disso, aqueles que recebiam o dinheiro eram politicamente poderosos, incluindo empresas estatais e chefes locais do partido".

Zakaria diz que o país ainda sofreu com a crise financeira e da desaceleração econômica global. "Mas desaceleração não era uma opção para Pequim: a legitimidade do Partido Comunista não deriva da ideologia, mas de competência", destaca o jornalista. Ele destaca uma coluna do Wall Street Journal, escrita por Morgan Stanley Ruchir Sharma, que revela a dívida pública e privada total da China: mais de 200% do PIB, um nível sem precedentes para qualquer país em desenvolvimento. "Empresas e governos locais estão empilhados em dívida. Empréstimos alimentam o boom imobiliário", diz o texto de Zakaria. 

Segundo o jornalista, Pequim enfrenta outros sérios desafios. O povo chinês, em qualquer lugar do país, experimenta a poluição do ar e da água e começam a reclamar "em voz alta". "Eles também estão cada vez mais indignados com algo quase tão onipresente: a corrupção. Corrupção da China é mascarada por causa de um rígido controle do Estado sobre os meios de comunicação, mas o Partido Comunista está ciente do problema e se comprometeu a reformar seus sistemas de promoção e disciplina partidária para assegurar que os funcionários são menos corruptos e mais focado em danos ecológicos, não apenas o crescimento", destaca o texto.

Tags: Artigo, cHINA, economia, estabilidade, histórica, virada

Compartilhe:

Postar um comentário

Faça login ou assine para comentar.