Jornal do Brasil

Quinta-feira, 24 de Abril de 2014

Economia

Expectativas para a economia em 2014 são otimistas

Mantega, Delfim Galvêas e Miro fazem suas previsões

Jornal do Brasil

“Houve um exagero do mau humor do mercado com o Brasil e a desconfiança não está disseminada”. As afirmações foram feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega prevendo um ano melhor para o país em 2014. E esse otimismo parece que começa a dar as caras pelo país. Para o ex-ministro Delfim Neto, a “tempestade perfeita” pode se dissipar, mas é preciso que o governo continue trilhando alguns caminhos para dar um novo rumo à economia.

Numa análise sob o ponto de vista político, o deputado federal Miro Teixeira (Pros-RJ) afirma que 2014, sendo ano eleitoral, vai seguir um padrão de anos anteriores e não haverá crise. Ele cita anos recentes em que foram realizadas eleições e que não houve crise. Mas nem todas as expectativas são otimistas. Para o consultor e ex-ministro Ernane Galvêas, há uma projeção de crescimento do PIB brasileiro em torno de 3%, mas 2013 foi um ano decepcionante e 2014 não deverá ser melhor.   

Guido Mantega

O ministro da Fazenda afirmou que o mau humor do mercado com o Brasil foi exagerado e ressaltou que a desconfiança não está disseminada entre todos os investidores. “Estamos em um ano de virada. Talvez tenha sido o último ano da crise, começando pelos Estados Unidos”, disse o ministro, completando que os EUA poderão crescer mais de 2% em 2014. Em relação às contas públicas, Mantega garantiu que os gastos estão sob controle, mas não quis fazer nenhuma projeção para o próximo ano. Ele afirmou ainda que o consumo está ganhando velocidade e que o mercado de trabalho brasileiro está muito bem. “Vamos terminar o ano com um mercado de trabalho excelente, com menor nível de desemprego", disse o ministro.

Mantega lembrou que o consumo começou o ano crescendo pouco e afirmou que ele está ganhando "alguma velocidade" no segundo semestre. De acordo com o ministro, o crescimento é de 4,5% em 12 meses. "É menos do que a gente crescia antes, mas é razoável", disse.

"Vamos terminar 2013 com inadimplência bem menor do que começamos o ano. Ou seja, o consumidor termina o ano em condições mais favoráveis para que ele possa ter acesso a financiamentos no próximo ano em volume maior do que neste ano", disse. O ministro afirmou novamente que o consumo está crescendo sem financiamentos neste ano e que, se ele aumentar no ano que vem, poderá estimular a economia.

Delfim Neto

O ex-ministro Delfim Neto acredita que o próximo ano tenha grandes possibilidades de ser bem melhor para a economia brasileira do que foi 2013. Segundo ele, o governo está demonstrando uma boa disposição de manter a busca da "modicidade tarifária" com respeito aos limites do setor privado, o que deve resultar num sucesso razoável dos leilões de concessão de infraestrutura, até mesmo, ressalta Delfim, no setor ferroviário. Essas concessões, afirma o ministro, “serão poderosas alavancas para acelerar os investimentos em infraestrutura”. Ele ressalta ainda que a lenta recuperação da economia mundial talvez possa dar um pequeno alento adicional. “Esses três fatores poderão nos proporcionar um razoável 2014”, afirma Delfim.

O ministro ressalta ainda que, com a cooperação do Congresso, numa coordenação entre política fiscal e monetária adequadas, será possível afastar de vez as ameaças e incertezas que hoje rondam a economia brasileira. “A dissipação da possível tempestade perfeita, que seria o acontecimento simultâneo da queda de um ponto no nosso rating e o início da suspensão do estímulo monetário nos EUA, depende apenas de uma ação firme e crível do governo brasileiro”, afirma Delfim. Esse quadro, diz ele, é o que vai reforçar a esperança de um 2014 um pouco melhor do que 2013 para o país.

Miro Teixeira

A história recente nos mostra que nos anos eleitorais dificilmente o Brasil enfrenta algum tipo de crise. Desde o governo Sarney é assim. No meio do governo de José Sarney, mais precisamente em 1986, tivemos a eleição para a Constituinte. No ano seguinte e posteriormente em 1988, foi promulgada a nova Constituição e Sarney teve mais um ano de mandato. Tivemos ainda o Plano Cruzado; Na eleição de sucessão do Sarney, o Plano Cruzado foi à lona, mas ainda assim não houve crise. O Collor não teve uma sucessão normal. Mas na sucessão do Itamar, com o Plano Real, em que foi eleito o Fernando Henrique Cardoso, não houve crise. Quando chega a eleição do Lula, o período crítico foi o próprio risco Lula, injustamente chamado dessa forma. Então o ano eleitoral é um ano de águas tranquilas. O problema é o ano seguinte. Sem fazer grandes análises, acho que 2014 será um ano para Brasil, e para nossa economia, bastante tranqüilo, o que não significa que algumas medidas deverão ter impacto negativo em 2015.

Ernane Galvêas

Segundo Relatório da ONU, o PIB mundial deverá crescer 3,0% em 2014, com melhora no crescimento dos Estados Unidos, fim da recessão na Europa e ligeira desaceleração na China. Para o Brasil, o crescimento projetado é da ordem de 3%, o que se situa acima da previsão dos analistas de mercado brasileiro.

O ano de 2013 foi decepcionante do ponto de vista do crescimento econômico no Brasil. O PIB do Brasil deverá ficar entre 2,0% e os 2,5% este ano e, pior, poderá crescer ainda menos no ano que vem (+2,1% segundo projeções de mercado).

Internamente, o recorde da safra agrícola 2012/2013 não foi suficiente para alavancar o crescimento, dada pequena participação do setor primário na economia. Como para o ano que vem a perspectiva é de uma safra menor, o setor primário deverá crescer bem menos do que em 2013.

A indústria seguiu na lanterna do crescimento sofrendo com as fortes oscilações cambiais, com a carga tributária, juros crescentes e infraestrutura deficiente. Mesmo considerando a possibilidade de uma leve recuperação em 2014, o crescimento esperado do setor secundário não deverá ultrapassar os 2%. Os serviços, que têm maior peso na geração do PIB, seguiram em desaceleração, apesar do aquecimento do mercado de trabalho. Os ganhos reais sobre o ano anterior ainda ocorrem, porém, em menor escala, dada a taxa de inflação.

Finalmente, o setor externo, vem contribuiu negativamente para o crescimento do PIB neste ano que termina, uma vez que as importações seguiram crescendo mais que as exportações. O saldo comercial, que em 2012 foi de US$19,4 bilhões, minguou para cerca de US$1,0 bi. Diante da tendência de desvalorização do real, a expectativa é de que a diferença entre exportações e importações gere um saldo positivo de US$ 7,85 bilhões no ano que vem. 

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